Foz do Iguaçu (PR) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste sábado (20) que a formalização do acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul foi adiada para janeiro de 2026. A assinatura era esperada para hoje, durante a Cúpula do Mercosul, que marcou o fim da presidência temporária brasileira do bloco.
No discurso de abertura do encontro, Lula afirmou que líderes europeus solicitaram mais tempo para discutir “medidas adicionais de proteção agrícola”. Segundo o presidente, a demanda partiu de países da UE, mas não significa oposição ao tratado em si.
Cartas de Bruxelas
Lula disse ter recebido na sexta-feira (19) mensagens da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, nas quais ambos expressam “expectativa de ver o acordo aprovado em janeiro”.
Questão italiana e resistência francesa
De acordo com o chefe do Executivo brasileiro, o adiamento se deveu a um impasse entre a Itália e demais membros da UE sobre a distribuição de verbas agrícolas. Lula relatou ter conversado por telefone com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que teria garantido estar “pronta para assinar no começo de janeiro”.
Mesmo com a conhecida resistência da França ao tratado, o presidente afirmou que, caso apenas Paris mantenha oposição, “não haverá possibilidade de a França, sozinha, barrar o acordo”. Ele espera que a assinatura ocorra “no primeiro mês da presidência paraguaia do Mercosul”, a ser exercida por Santiago Peña.
Tratativa de 26 anos
Negociado desde 1999, o acordo UE-Mercosul envolve um mercado de 722 milhões de pessoas e soma Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões. Os termos gerais foram anunciados em 2019; no ano passado, em Montevidéu, concluiu-se a etapa que permitiu a preparação do texto final para assinatura.
Outras frentes comerciais
Durante a cúpula, Lula ressaltou que o bloco sul-americano pretende ampliar parcerias. Entre as negociações citadas estão:
- Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), com PIB combinado de quase US$ 1,5 trilhão;
- Ampliação do acordo com a Índia;
- Avanços com Emirados Árabes Unidos e retomada de tratativas com o Canadá;
- Discussões para parceria estratégica com o Japão e acordo de preferências tarifárias com o Vietnã;
- Negociações com o Panamá e atualização de pactos com Colômbia e Equador.
Lula observou que o comércio intrarregional na América do Sul responde por apenas 15% do fluxo total, ante cerca de 60% na Ásia e na Europa. Segundo ele, incluir os setores sucroalcooleiro e automotivo nas regras do Mercosul pode ajudar a elevar esse percentual.
O Mercosul passa agora a ser presidido pelo Paraguai pelos próximos seis meses.
Fonte: Agência Brasil
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