O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta quinta-feira (4), que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) estude caminhos para reduzir a jornada de trabalho no Brasil e extinguir o regime 6 x 1, no qual se trabalha seis dias e folga-se um. A reunião ocorreu no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Redução da jornada
Lula afirmou que os avanços tecnológicos elevaram a produtividade sem refletir na qualidade de vida dos trabalhadores. Ele lembrou que, na década de 1980, a fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo tinha 40 mil funcionários para produzir 1,2 mil veículos por dia, enquanto hoje, com 12 mil empregados, fabrica o dobro. “Por que, então, não reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais?”, questionou.
Uma Proposta de Emenda à Constituição que encerra a escala 6 x 1 tramita no Congresso Nacional. O presidente declarou que, caso o Conselhão recomende a mudança, irá “apressar” a aprovação da medida.
Combate à violência contra a mulher
O chefe do Executivo também solicitou que o colegiado apresente propostas mais efetivas para enfrentar feminicídio e pedofilia. “Precisamos de algo mais duro para quem pratica esse tipo de crime”, disse, citando o caso recente de uma mulher atropelada e arrastada em São Paulo.
Questão fiscal e investimentos
No encontro, Lula voltou a criticar a classificação de gastos sociais como despesas supérfluas. Ele afirmou que “muita gente que vive de especulação” prega o déficit fiscal, referindo-se ao mercado financeiro da região da Faria Lima, em São Paulo. “Não é possível que a oitava economia do mundo fique presa a discursos sobre teto de gastos”, completou.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou da reunião e disse que o déficit do atual mandato será 70% menor que o do governo anterior. Segundo ele, a inflação acumulada nos quatro anos desta gestão deverá ser a menor da história do país.
Licenciamento ambiental
Lula criticou a derrubada, pelo Congresso, de 52 vetos presidenciais ao projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental. Para o presidente, a mudança pode afetar as exportações do agronegócio brasileiro. “Vetamos para proteger o agro; quando a China ou a Europa deixarem de comprar nossa carne, vão pedir que eu resolva”, alertou.
Relação com o Congresso
Questionado sobre divergências com o Legislativo, Lula disse não ver um “problema” na relação, apesar de discordar das emendas impositivas, que destinam parte do Orçamento diretamente aos parlamentares. “Só se muda isso alterando quem aprovou”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil
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