O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, declarou nesta terça-feira (11) que seria “inaceitável” submeter as ações da corporação contra o crime organizado à autorização prévia de governadores. A afirmação foi feita em entrevista à TV Brasil, ao comentar proposta inicialmente incluída no relatório do PL Antifacção pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que recuou do texto no mesmo dia.
Rodrigues exemplificou que, se tal exigência estivesse em vigor, as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, não teriam avançado. “Descortinamos ali um crime que contou com a participação de agentes do Estado, incluindo conselheiro do Tribunal de Contas, deputado federal e policiais”, afirmou.
O diretor lembrou ainda a operação Carbono Oculto, conduzida pela PF, como outro caso que só foi possível graças à autonomia investigativa da instituição. Ele defendeu a ampliação de ferramentas de investigação e a integração entre órgãos de segurança para enfrentar o crime organizado.
Também nesta terça, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o primeiro parecer de Derrite poderia enfraquecer apurações já em curso sobre fraudes no setor de combustíveis, afetando a atuação conjunta da Receita Federal e da PF.
Mais tarde, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou esperar que o projeto enviado pelo governo seja aprovado “em 100% ou 90%” e classificou como “inconstitucionais” trechos do parecer que tratavam do papel da Polícia Federal. Ele se disse surpreendido com a rapidez na apresentação do relatório.
O PL Antifacção foi encaminhado pelo Executivo à Câmara em 31 de outubro e continua em discussão na Casa.
Fonte: Agência Brasil
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