O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi designado relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada nesta terça-feira, 4, durante a primeira reunião do colegiado em Brasília.
A presidência da comissão ficará com o senador Fabiano Contarato (PT-ES), enquanto a vice-presidência foi atribuída a Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O grupo terá 120 dias para apurar o avanço de facções criminosas, milícias, lavagem de dinheiro, corrupção em diversos setores e rotas de mercadorias ilícitas.
Vieira afirmou que a intenção do trabalho é “diagnosticar a real dimensão do crime organizado no país”. Segundo ele, a situação atual resulta de “décadas de omissão e corrupção”.
Convocações e cronograma
O plano de trabalho elaborado pelo relator prevê oitivas com autoridades federais, estaduais e especialistas. Entre os convidados estão os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e José Mucio Monteiro (Defesa), além de dirigentes da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Governadores e secretários de Segurança de estados com elevados índices de criminalidade – como Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas – também deverão prestar depoimento, assim como representantes de unidades federativas que registram os melhores indicadores de segurança pública.
Números do crime organizado
Dados da Senappen indicam a existência de cerca de 88 organizações criminosas ativas no país. A CPI pretende ainda discutir temas como uso de criptomoedas na lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas, corrupção e rotas de contrabando.
A criação da comissão foi proposta pelo próprio Alessandro Vieira após a operação policial que resultou em 121 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, episódio que reacendeu o debate sobre a atuação de facções no território nacional.
Fonte: Infonet
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