Gleisi Hoffmann acusa governadores de direita de estimular intervenção dos EUA no Brasil

Rafael Ramos
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A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta sexta-feira (31) que governadores de partidos de direita “investem na divisão política” e incentivam o discurso de intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais.

Segundo Gleisi, os governadores deveriam unir esforços com o governo federal na elaboração de políticas para fortalecer a segurança pública, entre elas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18, enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional.

“Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”, escreveu a ministra.

A titular da pasta também citou a mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe, onde navios norte-americanos foram posicionados sob o argumento de combater o narcotráfico. A movimentação, segundo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, teria o objetivo de retirá-lo do poder.

Gleisi comparou os governadores ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos EUA desde março e, de acordo com a ministra, teria colaborado para sanções comerciais, aplicação da Lei Magnitsky e suspensão de vistos de autoridades brasileiras. “Não conseguem esconder seu desejo de entregar o país ao estrangeiro”, afirmou.

Consórcio da Paz

Na quinta-feira (30), sete governadores anunciaram no Rio de Janeiro a criação do Consórcio da Paz, voltado à troca de informações de inteligência e apoio financeiro e de efetivo policial no enfrentamento ao crime organizado.

Participaram presencialmente Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Riedel (Progressistas-MS), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entrou por videoconferência.

Os governadores elogiaram a operação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 121 mortes — quatro delas de policiais militares — e na apreensão de 93 fuzis. O alvo principal, Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do Comando Vermelho, não foi capturado.

Críticas à PEC da Segurança Pública

A PEC 18 é contestada pelos mesmos governadores, que argumentam perda de autonomia sobre as polícias estaduais. “Querem transferir nossa autonomia e transformar em diretriz geral do Ministério da Justiça. É intervenção direta nas polícias dos estados”, disse o governador Ronaldo Caiado.

O texto propõe que a União elabore a política nacional de segurança pública, com diretrizes obrigatórias para estados, Distrito Federal e municípios, após consulta ao Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social. O governo federal sustenta que a autonomia das forças estaduais será preservada.

Para Gleisi Hoffmann, entretanto, a segurança pública “não pode ser tratada com leviandade e objetivos eleitoreiros” e demanda “inteligência, planejamento e soma de esforços”.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.