Lula busca adesão plena do Brasil à Asean durante viagem ao Sudeste Asiático

Robson Alves
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Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (24) que o Brasil trabalha para tornar-se membro permanente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). A afirmação foi feita em Jacarta, após reunião com o secretário-geral da entidade, Kao Kim Hourn.

Segundo Lula, a entrada do país no bloco fortalecerá o comércio com um mercado de 680 milhões de habitantes. “O Brasil tem de acreditar na sua economia. Continuo viajando para aumentar nossa balança comercial, nossas reservas em dólares e atrair investimentos”, afirmou.

Parceria já existente

Desde 2023, o Brasil mantém Parceria de Diálogo Setorial com a Asean, único país latino-americano nessa condição. O arranjo prevê iniciativas de coordenação política e cooperação multissetorial.

Cooperação e convite para a COP30

No encontro com Hourn, Lula destacou projetos conjuntos em bioenergia e disse que pretende estender a agenda para saúde e educação em 2026. O presidente também convidou o dirigente da Asean para a Cúpula de Líderes da 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), marcada para 6 e 7 de novembro de 2026, em Belém.

Comércio em crescimento

Em 2024, as trocas entre Brasil e países da Asean ultrapassaram US$ 37 bilhões. Caso fosse um único país, o bloco seria o quinto maior parceiro comercial brasileiro, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Argentina.

Agenda na região

Após a passagem pela Indonésia, Lula seguiu para Kuala Lumpur, onde participará da cúpula da Asean e do Encontro de Líderes do Leste Asiático (EAS). Também está previsto um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Será a primeira presença de um chefe de Estado brasileiro nas reuniões de cúpula da Asean.

Visita oficial à Indonésia

Nesta quinta-feira (23), Lula foi recebido pelo presidente indonésio, Prabowo Subianto. O encontro resultou em um comunicado conjunto e oito acordos nas áreas de minas e energia, agricultura, ciência e tecnologia, e estatística. Setores privados dos dois países firmaram entendimentos principalmente voltados à transição energética.

Diante de cerca de 400 empresários, o presidente avaliou que a balança comercial de US$ 6,3 bilhões entre Brasil e Indonésia é “pequena” frente ao porte das duas economias. “Falta entusiasmo dos países e de nossos empresários”, declarou.

Ao defender a diversificação de parcerias e o fortalecimento do multilateralismo, Lula afirmou que “quanto mais comércio e relações fortes com outros países, melhor para o Brasil”. Ele criticou práticas protecionistas e defendeu um comércio internacional “mais livre”.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.