O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17), em evento do PCdoB em Brasília, que apenas o povo da Venezuela deve decidir o futuro do país. Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump, Lula declarou que “nenhum presidente de outro país” tem autoridade para determinar os rumos de Caracas ou de Havana.
“O Brasil nunca será a Venezuela, e a Venezuela nunca será o Brasil. Cada nação será ela mesma. O que defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino”, disse o chefe do Executivo, em meio ao aumento da pressão de Washington sobre o governo de Nicolás Maduro.
Cuba fora da lista de terrorismo
Lula também criticou a permanência de Cuba na lista dos Estados Unidos que acusa países de patrocinar o terrorismo. Segundo ele, a ilha “não exporta terroristas” e representa “exemplo de povo e dignidade”.
Desde a década de 1960, Washington mantém um embargo econômico contra Cuba, reforçado após a posse de Trump. As restrições incluem sanções a países que contratam médicos cubanos, prejudicando uma das principais fontes de receita da ilha, que enfrenta apagões frequentes e crise econômica.
Tensão no Caribe
Brasil e a maioria dos governos latino-americanos já manifestaram preocupação com a presença militar dos EUA nas águas do Caribe. Desde agosto, o Pentágono enviou milhares de soldados, navios de guerra e aeronaves à região sob o argumento de combater o tráfico de drogas oriundo da Venezuela.
Reportagens da imprensa norte-americana apontam que o Exército dos EUA teria realizado seis ataques contra embarcações, resultando em mais de 30 mortes. Caracas acusa Washington de buscar uma mudança de regime e promete levar o tema ao Conselho de Segurança da ONU.
Na véspera do pronunciamento de Lula, Trump confirmara ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas para derrubar Maduro — ação que especialistas consideram violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
Interesse geopolítico
Analistas consultados pela Agência Brasil avaliam que o interesse dos EUA na Venezuela é geopolítico, já que o país detém as maiores reservas de petróleo do mundo e não abriga cartel relevante de drogas. Para eles, a iniciativa de Trump estabelece precedente perigoso para novas intervenções de Washington na América Latina, semelhante ao apoio a ditaduras durante a Guerra Fria.
Fonte: Agência Brasil
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