Especialistas, chefes de Estado e organizações sociais manifestaram forte oposição à escolha da líder da extrema direita venezuelana, María Corina Machado, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, anunciado neste sábado (11/10).
Ao divulgar o resultado, o Comitê Norueguês justificou a decisão afirmando que a política foi laureada “pelo trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, qualificou Machado como “um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”.
Repercussão imediata
O jornalista espanhol Ignacio Ramonet descreveu a premiação como “a necrose de um Prêmio Nobel”. Segundo ele, entregar a honraria a alguém que “defende invasões militares, golpes de Estado e guerras” inverte o sentido original do prêmio.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, avaliou que a escolha evidencia “a politização e o descrédito” do comitê. Para o mandatário, conceder o prêmio a “quem instiga intervenção militar em sua pátria” é uma “manobra política” contra a liderança bolivariana.
O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya Rosales considerou a decisão uma “afronta à história e aos povos que lutam por sua soberania”, acusando Machado de ser “aliada de interesses estrangeiros”. “Nunca há paz quando quem promove sanções e bloqueios é recompensado”, afirmou.
Laureado com o Nobel da Paz em 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel disse que a venezuelana recebeu o reconhecimento “não por ter trabalhado pela paz ou pelo povo venezuelano” e demonstrou preocupação com a decisão do comitê.
Michelle Ellner, coordenadora da campanha latino-americana da organização norte-americana Codepink, também rechaçou a premiação. Ela declarou que “não há nada de pacífico” nas políticas defendidas por Machado, associando-as a sanções e privatizações que, segundo ela, prejudicam a população venezuelana.
Contexto das críticas
María Corina Machado é apontada por opositores como defensora de intervenções externas na Venezuela e apoio ao governo israelense de Benjamin Netanyahu em ações militares na Faixa de Gaza. Esses posicionamentos estão no centro das críticas de líderes latino-americanos e de grupos de direitos humanos, que veem incompatibilidade entre tais posturas e os princípios do Nobel da Paz.
Até o momento, o comitê do prêmio não se pronunciou sobre as declarações que contestam a escolha.
Fonte: Agência Brasil
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