Ministra afirma que vacina 100% brasileira contra covid representa reação ao negacionismo

Claudio Vasconcelos
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O Brasil divulgou neste mês o primeiro artigo científico que descreve testes de segurança de uma vacina contra a covid-19 totalmente desenvolvida no país. Batizado de SpiN-TEC, o imunizante mostrou-se seguro e segue agora para a fase 3 dos ensaios clínicos, última etapa antes do pedido de registro definitivo. A expectativa do governo é de que a dose esteja disponível para a população até o início de 2027.

Produzida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a SpiN-TEC recebeu R$ 140 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, repassados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio da RedeVírus. Os recursos financiaram desde os testes pré-clínicos até as fases 1, 2 e 3.

Em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil, a ministra da pasta, Luciana Santos, disse que o avanço da vacina tem forte componente simbólico diante do cenário de negacionismo observado durante a pandemia. Segundo ela, a condução do projeto demonstra a capacidade da comunidade científica nacional de responder a emergências sanitárias.

Avanço dos estudos e prazo na Anvisa

De acordo com a ministra, o dossiê para avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) será protocolado assim que os dados da fase 3 estiverem consolidados. Luciana Santos manifestou otimismo e acredita que o processo regulatório pode ser concluído a tempo de iniciar a produção ainda em 2026, abrindo caminho para a distribuição no ano seguinte.

Diferencial de produção

O MCTI destaca que a SpiN-TEC não dependerá de insumos importados, ao contrário das vacinas contra a covid-19 fabricadas no país por meio de acordos de transferência de tecnologia. Todos os insumos farmacêuticos ativos e processos industriais serão nacionais, o que reduz custos e reforça a autonomia do complexo industrial da saúde.

Outros projetos em desenvolvimento

O CT-Vacinas atua em rede com o Parque Tecnológico de Belo Horizonte e pesquisa imunizantes contra malária, doença de Chagas e outras enfermidades típicas de regiões tropicais. Segundo a ministra, esses esforços integram a estratégia governamental de reduzir o déficit externo do setor, estimado em cerca de US$ 20 bilhões, e de fortalecer a política industrial “Nova Indústria Brasil”.

Luciana Santos lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o principal comprador de medicamentos no país. Após o aval da Anvisa, a incorporação da SpiN-TEC ao calendário nacional de imunização dependerá de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O modelo de produção envolverá a transferência da tecnologia desenvolvida pela UFMG para uma empresa brasileira, responsável pela fabricação em escala.

A ministra avaliou que a criação de soluções inteiramente nacionais reforça a soberania científica e a confiança nos pesquisadores brasileiros, destacando que o país estará mais preparado para responder a futuras pandemias.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.