Dois anos de guerra em Gaza deixam mais de 67 mil palestinos mortos

Robson Alves
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Nesta terça-feira, 7 de outubro, o conflito entre Israel e o Hamas completa dois anos com um balanço de 67 mil palestinos mortos e 170 mil feridos, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza. Do lado israelense, as Forças de Defesa de Israel registram 1.665 mortes, das quais cerca de 1,2 mil ocorreram nas primeiras horas do ataque do Hamas que desencadeou a guerra em 2023.

Na ação inicial, aproximadamente 250 pessoas foram sequestradas. Ainda permanecem em cativeiro 48 reféns em Gaza, e as autoridades estimam que 20 deles estejam vivos.

Cenário humanitário

Bombardeios israelenses seguem atingindo a Faixa de Gaza, incluindo áreas residenciais, hospitais e escolas, o que gerou acusações de genocídio por parte da comunidade internacional — termo rejeitado por Israel. O cerco terrestre, marítimo e aéreo também impede a chegada regular de suprimentos.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que 1.857 palestinos morreram desde 27 de maio de 2025 enquanto buscavam alimentos em postos da Fundação Humanitária de Gaza, sistema de distribuição apoiado por Estados Unidos e Israel. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), uma em cada três pessoas no território passa dias sem comer, e mais de 320 mil crianças correm risco de desnutrição aguda.

No fim de setembro, a Marinha israelense apreendeu a Flotilha Global Sumud, formada por 50 embarcações que tentavam levar ajuda humanitária a Gaza. Entre os ativistas detidos havia cidadãos brasileiros.

Negociações de trégua

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou um plano para interromper as hostilidades. A proposta prevê a libertação dos reféns israelenses, a troca por prisioneiros palestinos e o desarmamento do Hamas, que ficaria fora de um eventual governo de transição administrado por líderes estrangeiros.

Delegações de Israel e do Hamas iniciam nesta semana negociações indiretas no Cairo, mediadas pelo Egito, com foco inicial na troca de reféns e prisioneiros. O Brasil defende um acordo que abra caminho para a criação de um Estado palestino e o presidente Lula cobra posição mais firme da ONU nesse sentido.

Raízes do conflito

A disputa entre israelenses e palestinos remonta à década de 1940, quando a ONU propôs a partilha da então Palestina britânica em dois Estados. Os árabes rejeitaram o plano, que culminou na proclamação do Estado de Israel em 1948. Desde então, guerras e ocupações ampliaram o território israelense e fragmentaram as áreas palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

A independência palestina foi declarada em 1988, mas grande parte das terras reivindicadas continua sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. O Acordo de Oslo (1993) criou a Autoridade Nacional Palestina, sem, porém, solucionar questões centrais. O Hamas, fundado em 1987, controla Gaza desde 2007 e é classificado como organização terrorista por Estados Unidos, União Europeia, Japão, Israel e Canadá, classificação que não conta com consenso na ONU.

Atualmente, mais de 140 países reconhecem o Estado palestino, mas os Estados Unidos seguem vetando o reconhecimento pleno no Conselho de Segurança da ONU.

Mesmo no aniversário de dois anos do conflito, tanques, navios e aviões israelenses voltaram a bombardear diferentes pontos da Faixa de Gaza, mantendo o impasse militar e político na região.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.