Brasília – Parentes e amigos de integrantes da delegação brasileira na Global Sumud Flotilha vivem horas de incerteza depois que embarcações do grupo foram interceptadas por forças israelenses na noite de quarta-feira (1º). Até o fim da manhã desta quinta-feira (2), os organizadores da flotilha confirmavam a detenção de 12 brasileiros, mas ainda esperavam notícia do paradeiro de outros dois tripulantes.
Desaparecidos em alto-mar
Entre os que seguem sem contato estão Miguel Viveiros de Castro, que viajava no barco Catalina, e João Aguiar, a bordo do veleiro Mikeno. Segundo comunicado da organização, o sinal do Mikeno foi perdido às 14h35 (horário de Brasília), logo após o rastreador indicar a entrada da embarcação em águas territoriais de Gaza. No caso do Catalina, a suspeita é de bloqueio de comunicações provocado pelas forças israelenses.
A nota divulgada pela flotilha exige que Israel confirme nominalmente os cidadãos brasileiros sob custódia e informe imediatamente onde estão Miguel e João.
Lista de detidos
Os 12 brasileiros cuja captura já foi reconhecida pelos organizadores são:
- Thiago Ávila – barco Alma
- Bruno Gilga, Lisiane Proença, Magno Costa, vereadora Mariana Conti e Nicolas Calabrese* – barco Sirius
- Ariadne Telles e Mansur Peixoto – barco Adara
- Gabriele Tolotti (presidente do PSOL-RS) e Mohamad El Kadri – barco The Spectre
- Lucas Gusmão – barco Yulara
- Luizianne Lins (deputada federal) – barco Grand Blue
*Nicolas Calabrese é cidadão argentino com residência no Brasil.
Apreensão de familiares
O estudante Jihad El Kadri divulgou nas redes sociais um apelo às autoridades após saber que o pai, Mohamad El Kadri, 62 anos, estava entre os detidos. “Se tivéssemos 10 iguais a ti, estaríamos num mundo mais justo”, escreveu o filho, explicando que a publicação foi a forma encontrada para chamar atenção e exigir o retorno do pai “com saúde”.
Mohamad gravou um vídeo preventivo, divulgado apenas após a captura, em que relata ter sido “sequestrado pelas forças sionistas de ocupação, em águas internacionais”.
Feriado afeta atendimento consular
A vereadora Guida Calixto (PT-Campinas), que acompanha o caso, disse ter recebido relatos não confirmados de interrogatórios. Ela lembrou que o feriado de Yom Kippur, celebrado nesta quinta em Israel, atrasou o retorno do atendimento consular brasileiro, previsto para ser retomado na sexta-feira (3). “Nossa preocupação é que o governo brasileiro interceda e que todos sejam libertados o mais rápido possível”, afirmou.
Sem comunicações restabelecidas, familiares e apoiadores seguem mobilizados em busca de informações sobre os ativistas retidos e os dois ainda desaparecidos.
Fonte: Agência Brasil
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