Metanol desviado pelo crime organizado pode ter causado intoxicações em São Paulo

Claudio Vasconcelos
3 Min Leitura

O metanol importado por organizações criminosas para adulterar combustíveis pode ter sido encaminhado a distribuidoras clandestinas de bebidas, apontou o diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), Rodolpho Heck Ramazzinio, em entrevista à TV Brasil nesta segunda-feira (29).

Investigação

Ramazzinio afirmou que o desvio do produto ganhou força após a Operação Carbono Oculto, deflagrada no fim de agosto pela Receita Federal e por órgãos parceiros. Com a suspensão das atividades de empresas investigadas, tanques cheios de metanol teriam sido esvaziados e o líquido, vendido a indústrias químicas e a destilarias ilegais.

“Eles fazem isso para ganhar volume, ganhar escala; não se preocupam com a saúde de ninguém”, declarou o representante da ABCF.

Impacto financeiro

Segundo o Anuário da Falsificação da ABCF 2025, o setor de bebidas foi o mais afetado pelo mercado ilegal em 2024, com perdas estimadas em R$ 88 bilhõesR$ 29 bilhões em sonegação de tributos e R$ 59 bilhões de faturamento que deixou de entrar nas indústrias regularizadas.

A Operação Carbono Oculto atingiu cerca de mil postos de combustíveis associados ao esquema, que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. A Receita Federal apurou que parte do metanol, importado sob outras justificativas, era utilizada para produzir gasolina adulterada.

Casos de intoxicação

Dados do governo paulista mostram seis casos confirmados de intoxicação por metanol, com suspeita de consumo de bebida adulterada, desde junho. Outros dez episódios seguem em investigação, três deles com óbito: um homem de 58 anos, em São Bernardo do Campo; outro, de 54 anos, na capital; e um terceiro, de 45 anos, sem residência identificada.

Orientação à população

O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) alerta que bebidas de origem clandestina representam risco grave à saúde. A recomendação é adquirir produtos apenas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, além de redobrar a atenção na hora da compra ou do fornecimento em bares e estabelecimentos.

As investigações sobre a origem do metanol e possíveis responsáveis seguem em curso.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.