O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (29) estar confiante na redução do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O otimismo, segundo ele, decorre do encontro breve entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na semana passada.
“Houve uma química entre eles”, disse Alckmin em entrevista à Rádio CBN, referindo-se à avaliação de Trump sobre a conversa. O vice-presidente reforçou que, embora ainda não exista data marcada, a expectativa é de que os dois presidentes tenham uma reunião formal para tratar do tema. “A conversa já vem ocorrendo há alguns meses”, acrescentou.
Tarifas sobre celulose e ferro-níquel zeradas
Alckmin lembrou que, quinze dias atrás, uma ordem executiva da Casa Branca retirou a tarifa de celulose e ferro-níquel importados do Brasil, o que representa US$ 1,7 bilhão em vendas externas. Em 2024, o país exportou US$ 40 bilhões aos Estados Unidos; assim, 4% desse total passou a ter tarifa zero.
Relação comercial “ganha-ganha”
Para o ministro, os argumentos brasileiros são favoráveis, uma vez que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil. Ele destacou ainda o interesse de empresas brasileiras em investir em território norte-americano, reforçando a perspectiva de benefícios mútuos.
Alckmin declarou que o avanço do diálogo pode abranger também as sanções aplicadas por Washington a autoridades brasileiras. “Não tenho detalhes, mas acredito que a abertura dessa conversa vai melhorar muito a relação entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
Diversificação de mercados
Mesmo com a expectativa de acordo com os EUA, o governo brasileiro continua buscando novos parceiros comerciais. Entre os tratados já assinados, Alckmin citou Mercosul-Singapura e Mercosul-Efta. Ele espera concluir, até o fim do ano, o acordo Mercosul-União Europeia. Em quinze dias, o vice-presidente viaja à Índia, país com 1,4 bilhão de habitantes e crescimento econômico de 6,5% ao ano.
O ministro mencionou ainda o interesse internacional nas reservas brasileiras de terras raras e defendeu um levantamento geológico detalhado, seguido pela implementação de toda a cadeia produtiva no país. “Temos muitas possibilidades de integração produtiva”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil
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