Dois terços das parturientes do Rio relatam violência obstétrica, indica pesquisa da Fiocruz

Claudio Vasconcelos
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Rio de Janeiro – Cerca de 66% das mulheres que deram à luz no estado entre 2021 e 2023 relataram ter sofrido ao menos um tipo de violência obstétrica, segundo o suplemento fluminense da pesquisa “Nascer no Brasil 2”, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O recorte, divulgado nesta quarta-feira (3), ouviu 1.923 parturientes atendidas em 29 maternidades públicas, privadas e mistas de todas as regiões do estado.

Formas mais frequentes

Os toques vaginais sem explicação ou consentimento apareceram como a prática mais comum, mencionada por 46% das entrevistadas. Em seguida, 31% citaram negligência, como longas esperas por atendimento, e 22% relataram abuso psicológico, incluindo broncas e repreensões de profissionais de saúde.

Perfil das vítimas

A coordenadora-geral do estudo, Maria do Carmo Leal, apontou maior incidência de agressões entre jovens, adolescentes, mulheres com baixa escolaridade e beneficiárias de programas sociais. A violência também foi mais frequente no sistema público de saúde e em partos vaginais, por exigirem maior permanência da gestante no hospital.

Práticas proibidas

O levantamento identificou 53 casos da manobra de Kristeller – pressão sobre o abdômen da gestante para agilizar o parto –, procedimento vetado por lei estadual desde 2016 e desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde devido aos riscos para mãe e bebê.

Projeção para o estado

Se a prevalência observada for aplicada a todos os nascimentos registrados no Rio em 2022, estima-se que cerca de 5,6 mil mulheres tenham sofrido uma das formas mais graves de violência física durante o parto.

De âmbito nacional, a segunda edição do “Nascer no Brasil” terá seus resultados completos apresentados no próximo ano.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.