A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, na manhã desta quarta-feira (20), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 112/2021, que institui um novo Código Eleitoral e reúne quase 900 artigos.
A proposta consolida sete legislações diferentes e passou por alterações de última hora para atender reivindicações de parlamentares. O texto agora segue ao plenário da Casa e, como foi modificado, retornará depois à Câmara dos Deputados. Para valer em 2026, a sanção precisa ocorrer até um ano antes do pleito.
Destaques aprovados
Durante a votação de destaques, três pontos receberam mudanças:
Participação feminina: por 18 votos a 5, a CCJ manteve a exigência de que cada partido lance pelo menos 30% de candidatas mulheres, regra já em vigor. Além disso, o projeto cria reserva de 20% das cadeiras na Câmara dos Deputados, assembleias estaduais e câmaras municipais para mulheres, válida por 20 anos.
Voto impresso: por 14 a 12, foi incluída a obrigatoriedade de impressão do registro do voto pela urna eletrônica. O documento será depositado automaticamente, sem contato manual do eleitor, e o processo de votação só terminará após confirmação visual do eleitor.
Autofinanciamento de campanha: foi aprovado dispositivo que libera o candidato a usar recursos próprios até o teto de gastos previsto para o cargo disputado.
Fake news e críticas ao sistema eleitoral
O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), reduziu as penas para divulgação de notícias falsas que influenciem o eleitorado. A punição passou a ser de dois meses a um ano de prisão, ou multa; o texto original previa um a quatro anos. Também foi retirada a criminalização de quem divulgar informações inverídicas com o objetivo de deslegitimar o processo eleitoral.
Quarentena reduzida
Juízes, procuradores, policiais e militares que desejarem concorrer a cargos eletivos precisarão se afastar das funções um ano antes da eleição — e não mais dois anos. A regra valerá a partir de 2028. Policiais em funções administrativas manterão o prazo de seis meses, igual a outros servidores públicos.
Outros pontos do projeto
O novo Código Eleitoral também:
- fixa prazos de inelegibilidade conforme a Lei da Ficha Limpa;
- estabelece normas de fiscalização das urnas eletrônicas;
- proíbe disparo em massa de mensagens nas redes sociais;
- regulamenta o uso de inteligência artificial em campanhas, vedando manipulações de imagem e voz;
- impõe regras mais rígidas para divulgação de pesquisas eleitorais, mas libera sua publicação na véspera do pleito;
- define novas exigências para prestação de contas e propaganda na internet.
Com a aprovação na CCJ, os senadores ainda precisam deliberar sobre o texto em plenário antes de enviá-lo de volta à Câmara.
Com informações de Agência Brasil
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