Fórum no Rio discute tratamento ético da leishmaniose e alerta para subnotificação

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Representantes de órgãos de saúde, pesquisadores e profissionais de medicina veterinária participam nesta quarta-feira (20) do 1º Fórum Transacional de Zoonoses – Direito ao Tratamento, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ), no Centro da capital fluminense. O encontro, organizado pela OAB em parceria com a Associação Brasileira de Saúde e Causa Animal (ABRAESCA) e com apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RJ), integra a campanha Agosto Verde, dedicada à conscientização sobre a leishmaniose.

Casos em crescimento

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS Rio) mostram 386 ocorrências de leishmaniose em cães em 2024 e outras 80 notificações apenas entre janeiro e março de 2025. Os bairros com maior número de registros em 2023 e 2024 foram Benfica, Engenho Novo, Engenho de Dentro, Piedade, Cascadura e Quintino, todos na zona norte.

Em relação à população humana, a ABRAESCA contabiliza 52 casos confirmados no município entre 2012 e 2025, dos quais 21 autóctones — transmitidos dentro da própria cidade, principalmente na mesma região norte.

Subnotificação e medo de eutanásia

A presidente da ABRAESCA, Tifanny Barbara Cotta Pinheiro Pires, afirma que o número real de infectados é maior. Segundo ela, muitos tutores evitam relatar a doença receosos de que seus animais sejam sacrificados. “Falta informação e persiste o receio de admitir a infecção, o que dificulta o controle”, disse.

A veterinária lembra que já existem coleiras repelentes recomendadas para prevenção e durante o tratamento e destaca que, após as primeiras quatro semanas de medicação, a carga parasitária do animal tende a cair a níveis que interrompem a transmissão. Em Florianópolis (SC), o tratamento é oferecido gratuitamente pela prefeitura, citou.

Debate sobre políticas públicas

O fórum reúne representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-RJ), Ministérios Públicos, secretarias de saúde, além de especialistas de todo o país. Entre os temas em pauta estão protocolos terapêuticos atualizados, estratégias de prevenção, desafios no diagnóstico e a defesa do direito à vida dos animais acometidos.

Os organizadores ressaltam fatores que favorecem a transmissão, como a presença do mosquito vetor Lutzomyia longipalpis, a urbanização do ciclo da doença, indícios de transmissão vertical e sexual entre animais de vida livre, a falta de dados sobre cães e gatos sem tutor e os impactos das mudanças climáticas, sobretudo em áreas socialmente vulneráveis.

Tifanny Pires classifica a mobilização como um passo para fortalecer o conceito de “saúde única”, que integra pessoas, animais e meio ambiente, e cobra políticas públicas contínuas para enfrentamento da zoonose. A programação completa e as inscrições gratuitas estão disponíveis em simposio.abraesca.com.br.

Situação epidemiológica

A SMS Rio informa que, nos últimos anos, a leishmaniose visceral passou a ser identificada também em áreas urbanas de médio e grande porte. O cão continua sendo a principal fonte de infecção, tornando fundamental o diagnóstico precoce. Entre os sintomas nos animais estão perda de peso, aumento abdominal, queda de pelos, linfonodos inchados e crescimento excessivo das unhas.

Em humanos, a doença pode provocar febre prolongada, emagrecimento, fraqueza, aumento do fígado e do baço e anemia, com maior risco para crianças e idosos. O tratamento começa na suspeita clínica e os medicamentos são fornecidos pelo Ministério da Saúde; pessoas com sinais da doença devem procurar a unidade de saúde mais próxima.

A ABRAESCA atua nacionalmente como organização da sociedade civil sem fins lucrativos, voltada à promoção de saúde única, bem-estar animal e controle de zoonoses por meio de projetos, parcerias e articulação política.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.