Projeto aproxima diagnóstico e tratamento da doença de Chagas de moradores do Sertão do Pajeú

Claudio Vasconcelos
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Um protocolo inédito para controle da doença de Chagas está em fase de teste no Sertão do Pajeú, interior de Pernambuco, região que concentra uma das maiores prevalências da enfermidade no país. A iniciativa, batizada de “Quem tem Chagas, tem pressa”, pretende descentralizar o atendimento, permitindo que moradores de municípios como Triunfo e Serra Talhada recebam diagnóstico e tratamento perto de casa.

Testes rápidos revelam alta positividade

Na primeira etapa do projeto, profissionais de saúde, estudantes e a população local participaram de capacitações sobre a doença. Em seguida, cerca de 1 000 moradores foram submetidos a testes rápidos. O resultado apontou positividade de 9%, acima da média nacional, que varia de 2% a 5%, segundo o médico Wilson Oliveira, da Casa de Chagas e responsável pela ação.

O exame rápido, produzido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, entrega o resultado em minutos e evita o deslocamento de até oito horas até o Recife para coleta de sorologia, que leva até 45 dias para ficar pronta. “Estamos validando o teste rápido; se tudo der certo, só quem tiver resultado positivo fará a sorologia confirmatória”, explicou Ana Márcia Drechsler, gerente de Vigilância das Arboviroses e Zoonoses da Secretaria de Saúde de Pernambuco.

Tratamento próximo ao domicílio

A fase de tratamento começa em setembro. Pacientes confirmados poderão concluir o esquema medicamentoso de 60 dias na própria cidade. “Temos doentes que percorrem 800 quilômetros para serem atendidos no centro de referência. Como 70% deles não desenvolvem cardiopatia grave, a atenção primária consegue resolver a maioria dos casos”, destacou Oliveira.

Diagnóstico ainda é desafio

Estimativas da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que menos de 10% dos infectados nas Américas sabem que têm Chagas e menos de 1% recebe terapia antiparasitária. No Brasil, a doença causa aproximadamente 4,5 mil mortes por ano, principalmente por complicações cardíacas.

Para compreender o impacto socioeconômico da doença, confira a reportagem especial do Focose sobre doenças negligenciadas.

Barbeiro e condições de moradia

A infecção é provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido sobretudo pela picada do barbeiro. O inseto prolifera em áreas rurais e em casas com frestas em paredes e tetos, como relembra o agricultor Roberto Barbosa dos Santos, morador de Triunfo, diagnosticado tardiamente e hoje com marcapasso. Ele preside a filial local da Associação dos Pacientes Portadores de Doença de Chagas, Insuficiência Cardíaca e Miocardiopatia de Pernambuco, criada para apoiar o projeto.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Parceria e possível expansão

O trabalho conta com apoio institucional da Novartis Brasil. A diretora de Saúde Global e Responsabilidade Corporativa da empresa, Michelle Ehlke, afirmou que a experiência no Sertão do Pajeú poderá servir de modelo a outras regiões endêmicas. “A proposta é fortalecer a atenção primária como porta de entrada qualificada. Caso validado, buscaremos novas parcerias para levar o programa a outras localidades”, afirmou.

Saiba mais sobre estratégias de atenção primária em saúde rural em reportagem do Focose.

O projeto segue em execução e seus resultados devem orientar políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença de Chagas em Pernambuco e em outras áreas endêmicas do Brasil.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.