No Dia Nacional do Diabetes, dados da principal maternidade de Sergipe revelam que 812 gestantes foram diagnosticadas com a doença entre janeiro e maio de 2026, representando quase 15% dos atendimentos.
Nesta sexta-feira, 26 de junho, é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, data dedicada à conscientização e prevenção de uma doença que, na sua forma gestacional, atinge quase 15% das pacientes atendidas na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), referência estadual para partos de alto risco em Sergipe. Os números são expressivos: de janeiro a maio deste ano, das 5.462 gestantes atendidas no setor de Admissão da unidade, 812 apresentaram diabetes gestacional.
De acordo com a gerente da Admissão da MNSL, Angélica Aragão, a condição ocupa a segunda posição entre os diagnósticos de maior incidência na maternidade. “O diabetes gestacional é o segundo diagnóstico de maior incidência nos atendimentos da maternidade, sendo o primeiro as síndromes hipertensivas”, informou. Na grande maioria dos casos, a doença é silenciosa, já que os sintomas costumam ser leves e podem ser facilmente confundidos com os da própria gravidez — o que torna o pré-natal regular ainda mais essencial para o rastreamento precoce.
A realidade dos dados tem rosto. Larissa Gabrielly Borges, dona de casa de Laranjeiras, descobriu que estava com diabetes gestacional durante a gravidez de Ayanna Gabrielly. Ela realizou o pré-natal de risco no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e foi encaminhada à MNSL para o parto. “Eu nunca tive diabetes, mas apareceu na gestação. Assim que descobrimos, iniciamos o tratamento. Eu tive a minha filha com 38 semanas e ela nasceu enorme, com 4,2 kg. Agora as minhas taxas estão todas normais. Meu maior medo era ter desenvolvido essa doença, mas, graças a Deus, estou bem”, enfatizou.
A ginecologista e obstetra da MNSL, Glícia Ramos, explica que o diabetes gestacional é uma alteração no metabolismo da glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez, em mulheres que não tinham a doença anteriormente. Nessa condição, o organismo não consegue produzir insulina suficiente para atender à maior demanda gerada pela gestação, resultando em níveis elevados de glicose no sangue. “É uma das complicações metabólicas mais comuns da gravidez e, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode trazer riscos sérios tanto para a mãe quanto para o bebê. O pré-natal adequado é a única forma de rastrear, diagnosticar e tratar o diabetes gestacional dentro do tempo certo. O pré-natal não é burocracia, é proteção de vida, tanto da mãe quanto do bebê”, destacou a médica.
Segundo Glícia Ramos, diversos fatores elevam o risco de uma gestante desenvolver a condição. Entre os principais estão: obesidade ou sobrepeso antes da gravidez, histórico familiar de diabetes — especialmente em parentes de primeiro grau —, idade materna igual ou superior a 35 anos, antecedente de diabetes gestacional em gestação anterior, bebê anterior com peso acima de quatro quilos ao nascer (macrossomia), síndrome dos ovários policísticos, sedentarismo e alimentação rica em carboidratos refinados e açúcares. A médica ressalta, no entanto, que a doença pode se manifestar mesmo em mulheres sem nenhum desses fatores de risco, reforçando a importância do acompanhamento pré-natal regular para todas as gestantes.



Fonte: Saúde – Sergipe
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