Pesquisa da Fiocruz expõe a dura realidade de milhões de idosos no Brasil. Sem suporte adequado, 20,4% enfrentam dificuldades nas tarefas mais básicas do dia a dia.
O Brasil possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e a pesquisa sobre envelhecimento populacional aponta sérios desafios enfrentados por esse grupo. A terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizada pela Fiocruz Minas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca a falta de suporte adequado para milhões de idosos.
Um dado alarmante revelado pelo estudo é que 20,4% dos idosos brasileiros têm dificuldade em realizar pelo menos uma atividade básica do cotidiano, como tomar banho, se vestir ou usar o banheiro. Isso representa aproximadamente 6,5 milhões de pessoas que enfrentam algum nível de limitação funcional.
A situação se torna ainda mais preocupante ao considerar a rede de apoio disponível. Entre os idosos que enfrentam dificuldades, apenas 37,9% recebem ajuda, sinalizando que a maioria vive sem assistência regular, mesmo enfrentando limitações que comprometem sua independência e qualidade de vida.
Os pesquisadores notaram que essa situação se agrava com o aumento da idade. Enquanto 13,9% das pessoas entre 60 e 69 anos apresentam limitações funcionais, esse número sobe para 44,2% entre aqueles com 80 anos ou mais. As mulheres estão mais afetadas, com 23,1% reportando dificuldades, em comparação a 17% dos homens.
Outro aspecto destacado pelo estudo é a falta de capacitação dos cuidadores. Apenas 5,8% dos cuidadores afirmaram ter recebido algum tipo de treinamento, evidenciando a carência de políticas públicas que visem a formação e suporte de familiares e cuidadores informais, que muitas vezes assumem essa responsabilidade sem a devida orientação.
Além da assistência, fatores urbanos e sociais complicam ainda mais o envelhecimento saudável. Aproximadamente 42,7% dos idosos que residem em áreas urbanas expressam medo de cair devido a buracos e problemas nas calçadas. Esse percentual é ainda maior entre aqueles com 80 anos ou mais, alcançando 63,1%.
A insegurança nas vizinhanças também é uma preocupação. O levantamento indica que 12,1% dos idosos consideram suas áreas de residência muito inseguras em relação à violência e criminalidade.
Na saúde, o estudo revelou que 34,4% dos idosos apresentam níveis de hipertensão arterial, o que corresponde a cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de acompanhamento médico para prevenir complicações graves, como infarto e derrames.
Os pesquisadores enfatizam que os desafios do envelhecimento vão além das doenças, envolvendo questões como mobilidade urbana, acessibilidade e suporte aos cuidadores, que afetam diretamente a autonomia e bem-estar da população idosa.
O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel crucial nesse contexto, com cerca de dois terços dos brasileiros com 60 anos ou mais dependendo exclusivamente da rede pública para atendimento médico. Além disso, 69,2% estão vinculados à Estratégia Saúde da Família, uma importante porta de entrada para cuidados direcionados a essa população.
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