O mês de março, tradicionalmente dedicado à valorização da mulher, trouxe à tona uma sucessão de crimes que expõe a gravidade da violência de gênero em Sergipe. Em poucas semanas, o estado registrou o assassinato de uma mulher em Capela, novo episódio de agressão em Propriá, além de uma ocorrência no bairro Farolândia, em Aracaju. Esses casos se somam a 11 tentativas de feminicídio contabilizadas recentemente, formando um cenário que acendeu o alerta na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE).
Preocupada com a escalada de casos, a entidade acompanha cada inquérito e cobra respostas das autoridades. Para a OAB/SE, os números oficiais não traduzem a totalidade do problema: a subnotificação permanece alta porque muitas vítimas deixam de procurar ajuda por medo, dependência financeira ou descrença nas instituições. Esse silêncio, afirma a Ordem, aprofunda a crise de segurança que atinge mulheres em todo o estado.
Atuação institucional
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) ampliou a presença em delegacias, tribunais e órgãos de assistência social. O objetivo é reforçar a rede de proteção, monitorar investigações e garantir que as vítimas recebam atendimento integral. Em nota, a seccional destaca que o enfrentamento à violência exige ação conjunta entre forças de segurança, sistema de justiça, políticas públicas e sociedade civil.
Como parte desse compromisso, a OAB/SE instituiu, por meio da Resolução nº 04/2026, uma política permanente de combate à violência contra a mulher dentro da própria Ordem. O texto transforma a defesa da dignidade feminina em eixo estruturante da atuação da entidade, afastando a ideia de iniciativas pontuais e pontilhando ações estratégicas de longo prazo.
“Violência contra a mulher não pode ser naturalizada nem relativizada”, reforça a seccional, ao exigir apuração rigorosa de cada caso, punição aos agressores e acolhimento adequado às vítimas. A Ordem lembra que, além de estatísticas, cada episódio representa vidas interrompidas, famílias despedaçadas e direitos fundamentais violados.
Diante do aumento de ocorrências, a Diretoria da OAB Sergipe se reunirá com a CDDM e a secretária-geral do Conselho Federal da OAB para discutir medidas que fortaleçam a rede de apoio às mulheres. A pauta inclui cobrança de melhorias no sistema estadual de proteção, ampliação de recursos para delegacias especializadas e integração entre órgãos públicos.
Enquanto aguarda ações concretas do poder público, a OAB/SE mantém plantão permanente para prestar suporte jurídico, psicológico e social a vítimas de agressão, reiterando que nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha.
Com informações de Oabsergipe.org
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