Vídeos de IA mostram alimentos e objetos “falantes” que ensinam conservação e viram febre nas redes

William Kevim
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São Paulo – Publicações com alimentos e objetos que ganham voz própria por meio de inteligência artificial (IA) tomaram conta do TikTok e do Instagram desde o início de 2026. Os clipes mostram itens cotidianos, quase sempre com feições irritadas, dando instruções sobre uso ou armazenamento, e acumulam milhares de visualizações.

Banana “revoltada” e pão de forma “incomodado” lideram a tendência

Em um vídeo que já ultrapassou 159 mil visualizações no TikTok, uma casca de banana “fala” em tom agressivo: “Me pique e jogue na terra que viro adubo poderoso”. No Instagram, um pão de forma reclama que a geladeira o deixa “duro e sem graça” e pede para ficar fora do eletrodoméstico.

Os exemplos se multiplicam. Há publicações estreladas por macarrão, morango, brócolis, salsicha, alho, cenoura, abacaxi e até geladeira, pasta de dente e esponja de louça. O conteúdo é agrupado principalmente pelas hashtags #alimentosfalantes e #objetosfalantes, que já reúnem centenas de vídeos.

Ferramenta do Google cria imagens ultrarrealistas

Parte desse material foi produzida com o Veo 3, sistema de IA do Google capaz de gerar vídeos de aparência real. A mesma tecnologia ganhou destaque em 2025 ao criar a apresentadora fictícia Marisa Maiô, utilizada em outras tendências virais.

Especialista aponta riscos de informação sem base técnica

A popularidade despertou a atenção de Angelica Mari, pesquisadora em cyberpsicologia. Para ela, a dinâmica em que um eletrodoméstico “explica” como agir confere falsa autoridade ao conteúdo. “Alguns vídeos trazem regras duvidosas, principalmente sobre conservação de alimentos. É importante checar a informação apresentada”, alerta.

Mari destaca que a linguagem direta e simplificada, mesmo quando o alimento “bronqueia” o espectador, cria empatia. “Nem sempre o público absorve diretrizes oficiais, como as do Ministério da Saúde. Quando a orientação vem em formato gamificado, infantilizado ou narrativo, a chance de engajamento aumenta”, observa.

Efeito colateral: público segue instruções ao pé da letra

A tendência gerou outra moda no TikTok: usuários que testam, em tom de humor, as recomendações passadas pelos itens animados. Vídeos mostram pessoas enterrando cascas de frutas no jardim ou rearranjando produtos fora da geladeira, imitando as dicas.

Vínculo com o fenômeno “brain rot”

Os clipes também se aproximam do chamado brain rot, expressão usada para descrever o desgaste mental provocado pelo consumo contínuo de conteúdos superficiais. O termo foi eleito palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, após registrar cerca de 130 mil buscas. Entre personagens populares desse estilo estão o tubarão calçando tênis “Tralalero Tralala”, a xícara bailarina “Ballerina Cappuccina” e a madeira de taco “Tum Tum Tum Sahur”.

Embora esses personagens raramente entreguem informações úteis, os vídeos seguem enredos recorrentes, como episódios de uma série, sustentando o engajamento do público no TikTok e no YouTube.

No momento, ainda não há indícios de que a tendência perca força. Novos perfis dedicados exclusivamente aos “alimentos falantes” surgem a cada semana, reforçando um formato que combina humor, estética de animação realista e dicas que nem sempre passam por revisão técnica.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.