Vídeo de capivara “pegando carona” em tatu é falso e criado por inteligência artificial

William Kevim
3 Min Leitura

Publicações nas redes sociais que mostram uma capivara sentada sobre um tatu enquanto atravessam uma estrada na Flórida não passam de montagem digital. A gravação, que circulou em janeiro no Facebook, Instagram, X e YouTube, foi produzida com inteligência artificial (IA) e não retrata um episódio real.

Como é o vídeo

O conteúdo viral aparece com a legenda em inglês “Armadillo carrega capivara enquanto atravessa rua na Flórida, motorista filma”. As imagens simulam a filmagem feita de dentro de um carro e incluem a voz de um homem comentando a cena em tempo real. O narrador se surpreende com o suposto encontro, afirmando nunca ter visto algo parecido.

Resultado da verificação técnica

A equipe do Fato ou Fake submeteu o arquivo à plataforma HiveModeration, ferramenta que identifica manipulações digitais em fotos, áudios e vídeos. O sistema apontou 99,9% de probabilidade de a gravação ter sido gerada por IA, o que derruba a narrativa de que o flagrante seja autêntico.

Parecer de especialista

Danilo Kluyber, veterinário e pesquisador do Programa de Conservação do Tatu-canastra, vinculado ao Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas), também avaliou o material. Segundo o especialista, há uma série de incoerências:

  • Comportamento: tatus não transportam filhotes nem outras espécies sobre o dorso, diferentemente de animais como tamanduás-bandeira ou preguiças.
  • Peso: capivaras adultas podem chegar a 60 kg. Caso carregasse um animal desse porte, o tatu apresentaria postura alterada, pisada distinta e sinais de esforço, o que não aparece na gravação.
  • Deslocamento: mesmo sendo fortes, tatus teriam dificuldade para manter o equilíbrio sob tamanho peso; no vídeo, contudo, o animal se move sem qualquer instabilidade.

Fatores geográficos e biológicos

Outra inconsistência apontada por Kluyber é a localização. Capivaras vivem naturalmente na América do Sul e não ocorrem em vida livre na Flórida. No estado norte-americano existe apenas o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), espécie de porte bem inferior ao do roedor exibido na filmagem.

tatu capivara

Imagem: Reprodução

Reações nas redes

Apesar das evidências, usuários continuaram a questionar a veracidade do registro nos comentários, classificando-o de “fofo” ou “surreal”. Alguns perfis chegaram a afirmar que “a Flórida não é real” devido à quantidade de histórias inusitadas associadas ao estado.

Com a confirmação de que a cena foi gerada por IA, o vídeo integra a lista de conteúdos enganosos apontados pelo projeto de verificação de fatos do g1, reforçando a necessidade de checar informações antes de compartilhar materiais potencialmente manipulados.

Com informações de G1

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.