São Paulo (SP), quarta-feira, 19 – O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, concedeu entrevista coletiva para rebater acusações de desvio de 131 itens esportivos da fornecedora Nike. Ele afirmou que, caso a apuração comprove qualquer irregularidade, renunciará ao cargo.
Defesa apresentada
Segundo o dirigente, apenas 47 peças saíram do almoxarifado por sua solicitação, todas registradas em sistema interno e destinadas a “uso de relacionamento”. “Das 131 camisas, 84 não foram retiradas por mim; 62 sequer saíram do Corinthians”, declarou. Ele exibiu documentos e e-mails que, de acordo com sua versão, comprovam a legalidade dos pedidos.
Mendonça também negou ser responsável pela gestão dos almoxarifados do CT Joaquim Grava e do Parque São Jorge. “No Corinthians não basta ser honesto, tem de provar que é honesto”, disse, acrescentando que acionou o clube para contratar auditoria externa.
Critérios de retirada
O vice explicou que as demandas por uniformes passam por gerentes de departamento, controle administrativo e liberação formal da vice-presidência. Ele contestou o relatório interno que aponta retirada de 170 camisas para jogos, afirmando ter solicitado apenas cinco para eventos específicos.
Pontos contestados
Mendonça rechaçou ter desviado oito camisas comemorativas da NFL. Mostrou e-mail no qual pede separação do material para presentear colaboradores da Neo Química Arena e disse que as peças continuam guardadas no clube.
Também negou interferência na transferência de lotes da terceira camisa ao Parque São Jorge e declarou que a Nike não pediu devolução dos produtos. Sobre a falta de uniformes diante do Fluminense, atribuiu o problema à logística da fornecedora.
Questionamentos sobre auditoria
O dirigente afirmou não ter sido ouvido durante a auditoria e só ter recebido o relatório em 7 de novembro. Ele refutou ter ameaçado o diretor de tecnologia Marcelo Munhoes e citou divergências na lista de auditores, o que motivou notificação extrajudicial.
Segundo Mendonça, o documento não relata a retirada de materiais para o setor de TI a pedido do próprio Munhoes, incluindo seis camisetas, uma mochila e uma peça autografada.
Investigação policial
A Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) apura o caso após solicitação do Ministério Público de São Paulo. O vice-presidente prestou depoimento na terça-feira, 15, apresentando as mesmas justificativas exibidas à imprensa.
Armando Mendonça reiterou ter solicitado melhorias no controle de estoque, implantação de inventário e registro de notas fiscais desde a posse do presidente Osmar Stábile. “Se uma auditoria externa especializada apontar que desviei um grampo do Corinthians, renuncio no dia seguinte”, concluiu.
Fonte: Futebol Interior
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