Um terço dos projetos de lei de 2024 conflita com normas já vigentes, aponta estudo

Rafael Ramos
3 Min Leitura

Levantamento do Instituto de Estudos para Políticas da Saúde (IEPS) revela que 37% dos projetos de lei apresentados em 2024 na área da saúde repetem ou entram em choque com normas existentes. A constatação faz parte do estudo Radar Político da Saúde, divulgado nesta quinta-feira (14).

Dos 585 projetos de lei relacionados a políticas de saúde analisados, 26% foram identificados como situações de contraposição — quando a proposta vai na direção oposta a regras já em vigor — e 11% como sobreposição, ou seja, duplicam dispositivos atuais.

Falta de articulação e diálogo técnico

Para o IEPS, o problema está ligado a três fatores principais: enfraquecimento das comissões legislativas que filtram as proposições, baixa especialização dos gabinetes parlamentares e pouca interlocução com órgãos técnicos, como assessorias dos ministérios. Esse cenário, segundo o instituto, gera desperdício de tempo e recursos públicos, além de dificultar a integração com políticas consolidadas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Complementação sem ganho estrutural

O estudo aponta ainda que 40% das propostas apenas complementam políticas já existentes, mas não resultam em fortalecimento estrutural do SUS. Menos de 10% dos projetos em tramitação concentram-se em melhorias de caráter estrutural para o sistema de saúde.

Rigidez excessiva

Ao comentar os resultados, a gerente de Relações Institucionais do IEPS, Júlia Pereira, alertou para o risco de transformar programas bem-sucedidos em lei sem necessidade. “Quando se transforma uma medida em lei, o processo se torna mais lento para se adaptar a novas evidências”, afirmou.

Um terço dos projetos de lei de 2024 conflita com normas já vigentes, aponta estudo - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Públicos específicos pouco contemplados

Entre as 1.314 proposições examinadas pelo Radar, apenas 19% miram populações específicas. Desse recorte, 249 projetos fazem referência direta a grupos determinados, sendo 38 voltados à saúde das mulheres (15%). Comunidades como povos indígenas, população em situação de rua e grupos tradicionais somam menos de 3% do total, o que, de acordo com o levantamento, reforça a baixa prioridade legislativa dada a segmentos historicamente vulneráveis.

O IEPS defende que o Congresso Nacional mantenha protagonismo no aprimoramento da saúde pública, mas alerta que o volume elevado de proposições sobrepostas pode dificultar a agilidade necessária em momentos críticos, como ocorreu na pandemia de covid-19.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.