UFS promove cerimônia para marcar os 50 anos da Operação Cajueiro

Rafael Ramos
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A Universidade Federal de Sergipe (UFS) realiza, na próxima quarta-feira, 11 de outubro, às 18h, um ato solene em memória dos 50 anos da Operação Cajueiro, considerada uma das principais ações de repressão política ocorridas no estado durante a ditadura militar. Aberta ao público e com entrada gratuita, a cerimônia acontecerá no Auditório da Reitoria, no Campus São Cristóvão, e é organizada pelo Centro Acadêmico Sílvio Romero (CASR) em parceria com a Comissão Estadual da Verdade e a Liga de Direitos Humanos.

A programação prevê a participação de juristas, pesquisadores, representantes de movimentos sociais, sobreviventes e familiares das vítimas da operação conduzida pelas forças de segurança em 1976. O objetivo, segundo os organizadores, é transformar o encontro em um espaço de escuta, preservação da memória e reparação simbólica, além de promover o diálogo entre diferentes gerações sobre as violações de direitos humanos cometidas no período autoritário.

Para a professora Andrea Depieri, do Departamento de Direito da UFS e atual corregedora da instituição, a Operação Cajueiro não deve ser analisada como um evento isolado, mas como parte de um conjunto de mecanismos de repressão empregados pelo regime militar. “Mesmo passados 50 anos, ainda é fundamental falar sobre esse episódio porque ele representa a forma como se deu a repressão política durante a ditadura. A Operação Cajueiro ajuda a compreender o funcionamento dos dispositivos repressivos, especialmente o uso do direito penal e da tipificação do crime de subversão em regimes autoritários”, afirmou.

A docente acrescenta que os processos judiciais instaurados após a operação evidenciam práticas como a incomunicabilidade de presos, prevista na antiga Lei de Segurança Nacional e típica de governos não democráticos. “Todo o modo de funcionamento da Operação Cajueiro nos ajuda a entender como o direito penal opera em uma ditadura”, destacou.

O ato também reconhece o papel histórico do movimento estudantil na defesa da memória política. De acordo com Teófilo Carvalho, dirigente do CASR e idealizador da cerimônia, revisitar a operação é uma responsabilidade ética e histórica. “O Centro Acadêmico entende a necessidade de revisitar esse capítulo triste da história sergipana. Muitas das vítimas da Operação Cajueiro eram estudantes da Faculdade de Direito da UFS, o que faz com que o tema dialogue diretamente com a trajetória do nosso curso e do próprio centro”, explicou.

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Imagem: Divulgação

Com a iniciativa, organizadores esperam reforçar a importância da preservação documental e do registro de testemunhos para evitar que episódios de violação de direitos se repitam. A cerimônia terá entrada livre, sem necessidade de inscrição prévia, e contará com momentos de fala de convidados, exibição de registros históricos e homenagens às vítimas.

Com informações de Jornaldodiase

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.