UFS e Fapese ampliam formação de docentes para escolas quilombolas

Rafael Ramos
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Projeto do Parfor Equidade prepara professores para atuar em comunidades quilombolas de Sergipe. A iniciativa une qualificação profissional, valorização de saberes e acesso ao ensino superior.

A formação de professores comprometidos com as realidades das comunidades quilombolas é essencial para fortalecer a educação, preservar saberes tradicionais e ampliar o acesso ao ensino superior. Em uma parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese) está à frente de um projeto estratégico voltado para a qualificação profissional: a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola, que é oferecida pelo Programa Nacional de Fomento à Equidade na Formação de Professores da Educação Básica (Parfor Equidade).

Com a gestão administrativa e financeira do projeto, a Fapese desempenha um papel fundamental na execução de uma iniciativa que atende a uma demanda histórica das comunidades quilombolas sergipanas. O objetivo vai além de simplesmente ampliar o acesso ao ensino superior; busca-se também fortalecer uma educação que valorize a identidade, a ancestralidade e os saberes tradicionais.

A coordenadora da licenciatura, professora Edineia Tavares Lopes, que é docente do Departamento de Química do Campus de Itabaiana e faz parte da coordenação colegiada do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi/UFS), destaca que a criação do curso é resultado de anos de mobilização das comunidades.

“Esse projeto nasce do anseio das comunidades quilombolas do Brasil e, de forma particular, das comunidades quilombolas de Sergipe. Há muito tempo elas demandam a formação de professores e professoras para atuar nessas escolas”,

explica.

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Ela também menciona que, em 2019, durante as discussões do Fórum de Educação Escolar Quilombola de Sergipe, uma das principais reivindicações das comunidades era a criação de uma formação inicial voltada para a Educação Escolar Quilombola.

“Em 2023 foi publicado pelo MEC o edital do Parfor Equidade. Pela primeira vez surgiu a possibilidade de submeter um projeto para criar uma licenciatura em Educação Escolar Quilombola. Escrevemos a proposta, fomos contemplados e o curso passou a integrar a estrutura da universidade”,

destaca.

A formação foi concebida a partir de uma perspectiva pedagógica antirracista, intercultural e interdisciplinar. Para isso, o currículo é organizado por meio da pedagogia da alternância, que intercala períodos de formação intensiva na universidade com atividades desenvolvidas nas próprias comunidades.

“No tempo da universidade, os estudantes permanecem aqui estudando os componentes curriculares. Já no tempo comunidade, desenvolvem atividades vinculadas às suas escolas e aos seus territórios. É uma formação construída na relação entre o conhecimento científico, os conhecimentos tradicionais e a história de luta do movimento quilombola”,

explica Edineia.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.