Turbulência interna e disputa eleitoral agitam bastidores do São Paulo FC

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O São Paulo FC enfrenta nova crise política às vésperas do processo que definirá seu próximo presidente, marcado para 2026. Áudios que expõem um suposto esquema de venda de camarote no MorumBis desencadearam pedidos de investigação e pressões pelo afastamento do atual mandatário, Júlio Casares, cujo mandato termina em dezembro de 2025.

Camarote vira alvo de investigação

A gravação, revelada pelo portal ge, mostra Mara Casares e Douglas Schwartzmann — ambos licenciados da diretoria — conversando com Rita de Cássia Adriana Prado, intermediária na comercialização do espaço. No diálogo, Rita é pressionada a retirar um processo judicial contra o clube por valores que não teriam sido repassados.

O camarote citado fica em frente ao gabinete presidencial, é conhecido internamente como “sala da presidência” e, segundo o clube, não está à venda para o público. O caso levou o Conselho Deliberativo a ser cobrado por conselheiros da oposição, que pedem a discussão de um possível afastamento de Casares — além de um pedido formal de renúncia já protocolado anteriormente.

Ação no Ministério Público

O grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo prepara o registro de uma notícia-fato no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que os fatos sejam investigados. A Procuradoria já havia recebido denúncia anônima sobre suposta gestão temerária no clube.

Em nota, a diretoria tricolor afirmou que instaurará sindicância interna e tomará “todas as medidas necessárias”. Júlio Casares, segundo apuração do Estadão, descarta renunciar ou se licenciar. Já Mara Casares, ex-esposa do presidente, alega que o áudio foi “tirado de contexto”.

Sucessão em disputa

A turbulência ocorre enquanto possíveis candidatos se movimentam. O superintendente Marcio Carlomagno, citado no áudio como quem teria autorizado o uso do camarote, é apontado por Casares como favorito a sucedê-lo. Mara Casares também cogita lançar candidatura.

O ex-diretor de futebol Carlos Belmonte, rompido com o presidente após resultados negativos em campo, articula apoio para concorrer. Outros nomes cotados são Olten Ayres de Abreu (presidente do Conselho Deliberativo), Adilson Alves Martins (ex-Conselho de Administração), Vinicius Pinotti (ex-diretor executivo) e Marcelo Pupo (membro do Conselho de Administração). As chapas devem ser definidas a partir de março de 2026.

Departamento Médico também em foco

Paralelamente, o clube viu seu Departamento Médico ser alvo de polêmica em 2025. Divergências internas vieram à tona após a prescrição do medicamento Mounjaro, usado para emagrecimento, a dois atletas do elenco. A substância teve uso aprovado pela Anvisa para essa finalidade apenas em junho de 2025 e, mesmo assim, restrita a pacientes com IMC igual ou superior a 27 kg/m² e comorbidades — cenário incomum em jogadores profissionais.

A confusão expôs falhas de comunicação na cadeia de comando do setor e resultou em demissões. Lesões recorrentes ao longo da temporada alimentaram questionamentos sobre a gestão do departamento, considerado ponto frágil do time no ano.

Com instabilidade administrativa e eleições à vista, o São Paulo FC vive um ambiente interno de incertezas que promete se intensificar nos próximos meses.

Fonte: Futebol Interior

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