TSE garante advogado gratuito para eleitores vulneráveis nas eleições

Rafael Ramos
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Acordo firmado entre o TSE e as Defensorias Públicas assegura assistência jurídica gratuita a candidatos e eleitores sem condições financeiras. A medida amplia o acesso à Justiça Eleitoral no país.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, formalizou uma parceria com as defensorias públicas para garantir assistência jurídica gratuita a candidatas, candidatos, eleitoras e eleitores em situação de vulnerabilidade econômica. A assinatura do acordo de cooperação técnica (ACT) ocorreu na sede do Tribunal, em Brasília.

Durante a cerimônia, Kassio Nunes Marques destacou que o acordo é um importante marco no fortalecimento da democracia brasileira e na ampliação do acesso à Justiça Eleitoral. Segundo ele, a parceria confere uma efetividade ainda maior à previsão constitucional de assegurar assistência jurídica integral e gratuita às pessoas que necessitam, ao aproximar a Justiça Eleitoral e a Defensoria Pública brasileira.

“Este acordo nasce de uma compreensão simples, mas essencial: o processo eleitoral tem como figuras centrais os eleitores e os candidatos, e não há democracia plena sem acesso efetivo à Justiça, o que reclama a remoção de barreiras econômicas, sociais ou estruturais que se coloquem para o exercício de direitos políticos e para a participação eleitoral”, destacou o ministro.

O magistrado também ressaltou a participação da Justiça Eleitoral brasileira na Missão de Observação Eleitoral (MOE) realizada em Lima, com o intuito de acompanhar o segundo turno das eleições presidenciais do Peru. A presença da delegação brasileira foi elogiada pelas instituições anfitriãs e por representantes de outras missões internacionais, que demonstraram interesse em conhecer as experiências do Brasil, especialmente nas áreas jurídica e tecnológica aplicadas ao processo eleitoral.

A parceria prevê a atuação prioritária das defensorias públicas em casos de fraude à cota de gênero, violência política, assédio político e assédio eleitoral nas relações de trabalho. O objetivo é ampliar o acesso à Justiça Eleitoral e fortalecer a proteção de grupos vulneráveis no processo democrático.

O ministro reforçou que a atuação das defensorias públicas é fundamental para promover os direitos humanos e a cidadania.

“Mulheres, pessoas negras, povos originários, pessoas com deficiência e pessoas idosas, todos devem encontrar na Justiça Eleitoral um ambiente de referência para a efetiva participação democrática e proteção de direitos. Essa compreensão reafirma a centralidade da eleitora e do eleitor no processo eleitoral. A democracia somente se realiza plenamente quando cada cidadã e cada cidadão consegue exercer seus direitos políticos em condições de igualdade e dignidade”, concluiu.

O acordo também prevê a realização de campanhas, cursos e ações educativas voltadas à promoção da cidadania, da democracia e dos direitos eleitorais. O termo estabelece um regime de cooperação entre as instituições para assegurar assistência integral e gratuita às pessoas que não podem arcar com custos advocatícios sem comprometer o sustento de suas famílias. Os atendimentos serão realizados mediante comprovação da necessidade de atuação da Defensoria Pública.

Assinam o documento o presidente do TSE, a presidente do Conselho Nacional das Defensoras e dos Defensores Públicos-Gerais (Condege), Maria Luziane Ribeiro de Castro, e a presidente da Associação Nacional das Defensoras e dos Defensores Públicos (Anadep), Fernanda Fernandes.

Para Maria Luziane, a atuação conjunta da Justiça Eleitoral e da Defensoria Pública assegura que o processo eleitoral seja não apenas íntegro em sua estrutura, mas também acessível em sua vivência concreta.

“Quanto mais complexo se torna o processo eleitoral, mais importante é assegurar que todas as pessoas, candidatas, candidatos e eleitores em situação de vulnerabilidade tenham orientação jurídica, uma defesa qualificada e condições reais de exercer seus direitos no ambiente democrático. É exatamente nesse ponto que a Defensoria Pública se torna indispensável. A democracia não se mede apenas pela abertura das urnas; ela se mede também pela possibilidade de cada pessoa participar do processo político, sem medo, sem tutela indevida, sem manipulação e sem abandono”, afirmou a defensora.

Na mesma linha, Fernanda ressaltou que as defensorias públicas estão na linha de frente da proteção de direitos fundamentais e ajudam a identificar barreiras que impedem a plena participação cidadã.

“Nossa função é garantir que ninguém seja excluído da democracia por falta de voz, informação ou acesso à Justiça. Ao assegurar assistência jurídica gratuita em situações de fraude à cota de gênero, violência política, assédio político e assédio eleitoral, estamos fortalecendo não apenas os direitos individuais, mas a própria integridade do processo democrático”, frisou.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.