O ministro Nunes Marques suspendeu divulgação de pesquisa AtlasIntel após pedido do PL. Partido alegou perguntas tendenciosas ligadas a áudio polêmico do senador. TSE vota referendo nesta terça.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, decidiu suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel que indicou uma queda no desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada após um pedido do PL, que alegou que as perguntas da pesquisa estavam direcionadas e que a divulgação de um áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro poderia ter influenciado as respostas dos entrevistados.
A suspensão da pesquisa ainda será submetida a referendo em uma sessão do TSE nesta terça-feira, 9 de junho. O ministro Nunes Marques apontou que existem suspeitas de que o questionário da pesquisa possa ter induzido os eleitores de maneira inadequada, especialmente após a divulgação do áudio mencionado.
Em sua análise inicial, Nunes Marques destacou que a concessão da liminar para suspender a divulgação não significa que a pesquisa não possa ser considerada válida, caso sua metodologia seja comprovada como regular posteriormente. Ele também ressaltou que as questões levantadas vão além de meras discordâncias sobre as escolhas metodológicas da pesquisa, envolvendo alegações de possível indução dos entrevistados.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou Nunes Marques.
O ministro ainda observou que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram perguntas similares às da pesquisa em questão e não utilizaram áudios.
Com a decisão, a AtlasIntel foi instruída a fornecer documentação técnica complementar que comprove a regularidade da metodologia, especialmente sobre o uso do áudio na pesquisa. O Ministério Público Eleitoral terá um dia para se manifestar sobre o caso.
Em resposta à decisão, o Instituto AtlasIntel afirmou que respeitará a determinação do ministro, mas que confia que a situação será esclarecida após uma análise técnica dos fatos e da metodologia utilizada. A AtlasIntel esclareceu que a pesquisa foi realizada sem que o áudio fosse apresentado aos entrevistados durante o questionário, sendo apenas disponibilizado após a finalização das perguntas.
“Confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, escreveram.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, reforçou que não houve viés político na pesquisa e destacou a precisão do trabalho do instituto. Ele também mencionou que pesquisas posteriores de diferentes instituições mostraram um padrão similar de impacto do episódio nas intenções de voto do candidato do Partido Liberal.
A AtlasIntel se colocou à disposição para colaborar com as autoridades eleitorais, visando aprimorar a transparência e a qualidade da informação nas pesquisas eleitorais.
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



