Trump ironiza influência europeia na Otan após ameaçar anexar Groenlândia

Robson Alves
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Washington (EUA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a importância dos aliados europeus na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) depois das críticas que recebeu por declarar a intenção de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.

“Rússia e China não têm medo de uma Otan sem os Estados Unidos, e eu duvido que a Otan estivesse lá para nós se realmente precisássemos”, afirmou Trump em publicação nesta terça-feira (6). O presidente ressaltou que, sob sua gestão, as nações do bloco elevaram os gastos militares de 2% para 5% do Produto Interno Bruto (PIB). “A maioria não pagava suas contas até eu aparecer. Os EUA estavam arcando com tudo. Agora eles pagam imediatamente.”

Trump vinha sendo questionado por líderes da Otan após reiterar que a Groenlândia é “necessária para a segurança” dos EUA. Ele justificou a ideia citando o trânsito de navios russos e chineses no Ártico, argumento que especialistas classificam como tentativa de limitar o comércio chinês na região, favorecido pelo derretimento das calotas polares. A anexação é considerada ilegal pelo direito internacional.

Reação europeia

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que um ataque de um país da Otan contra outro membro “seria o fim de tudo”. Em nota conjunta divulgada no mesmo dia, França, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Espanha, Itália, Polônia e Dinamarca declararam que “cabe exclusivamente à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito” e chamaram os Estados Unidos de “parceiro essencial” para a segurança no Ártico.

Análise de especialista

Para o major-general português Agostinho Costa, ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal, a resposta europeia foi “tímida” diante do que classificou como “bullying” de Trump. “A Europa vive uma orfandade em relação aos EUA. Toda a política norte-americana de Trump vai contra as expectativas do componente europeu da Otan”, disse. Segundo ele, o aumento dos gastos militares imposto por Washington transfere recursos europeus para a indústria bélica norte-americana, uma vez que “a indústria militar europeia não está desenvolvida o suficiente para suprir essa demanda”.

Trump também declarou que, sem sua intervenção, “a Rússia teria toda a Ucrânia agora”. As afirmações ocorrem em meio a críticas externas pela ofensiva militar norte-americana na Venezuela, realizada antes das declarações sobre a Groenlândia.

As tensões sobre a possível anexação permanecem, enquanto líderes europeus buscam manter a coesão dentro da Otan e defender a soberania dinamarquesa no Ártico.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.