O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (7) que pretende eliminar o Irã como nação caso o país não reabra o Estreito de Ormuz. Em sua declaração, o mandatário afirmou que uma civilização inteira será extinta durante a noite, sem possibilidade de retorno, em mais uma ameaça que opositores classificam como indicativa de genocídio.
Repercussões legais e políticas
Especialistas consultados pela reportagem consideram as falas de Trump extremamente graves. Gustavo Vieira, professor de direito internacional da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), avaliou que as ameaças contrariam princípios do direito internacional e podem configurar crimes contra a humanidade, genocídio e violações de normas estabelecidas desde o Tribunal de Nuremberg e pelo Estatuto do Tribunal Penal Internacional.
Vieira ressaltou que convenções como as de Genebra e o tratado sobre prevenção do genocídio proíbem ataques a infraestruturas civis e exigem proporcionalidade nas ações militares. Para o professor, aniquilar uma nação para garantir a passagem no Estreito de Ormuz seria uma medida desproporcional e que tende a provocar uma corrida por armamentos e sistemas defensivos no cenário internacional.
Elaini Silva, professora de direito internacional na PUC-SP, afirmou que a ameaça fere a Carta das Nações Unidas e pode configurar responsabilidade pessoal de governantes se for interpretada como intentos de extermínio de um povo.
Efeitos sobre o Irã e patrimônio
O antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou que ataques e ameaças externas tendem a reforçar o apoio interno ao regime iraniano por causa do forte sentimento nacionalista da população. Hilu também lembrou que a civilização persa, cuja língua e tradições remontam entre 2,5 mil e 3 mil anos, deixou legados culturais e religiosos — com raízes que se estendem a práticas do zoroastrismo e influências sobre o judaísmo e o cristianismo.
A Unesco, citada por especialistas, calcula que cerca de 160 sítios e monumentos históricos foram danificados ou destruídos por ataques atribuídos aos EUA e a Israel.
Questionamentos à Casa Branca
Na segunda-feira (6), em entrevista realizada nos jardins da Casa Branca, Trump foi questionado por um jornalista se a sua ameaça configuraria crime de guerra; o presidente ignorou a pergunta e pediu outros participantes fizessem perguntas diferentes. Em coletiva no mesmo dia, ao ser indagado por repórter do New York Times sobre possível violação do direito internacional ao atacar infraestrutura civil, Trump atacou a credibilidade do jornal e reiterou que não permitirá que o Irã obtenha armas nucleares — ponto contestado anteriormente por serviços de inteligência dos EUA, que, em março, indicaram que Teerã não buscava desenvolver tal armamento.
Na postagem em que prometeu a destruição do país, Trump afirmou também não desejar que isso ocorra, mas previu que “provavelmente acontecerá” e disse que “descobriremos esta noite”, finalizando o comunicado pedindo bênçãos a Deus para o povo do Irã.
Autoridades iranianas informaram que, desde 28 de fevereiro, quase 300 unidades de saúde e cerca de 600 centros educacionais, entre escolas e universidades, foram atacados por ações atribuídas a Israel e aos Estados Unidos; também houve relatos de dezenas de ataques a unidades e profissionais de saúde no Líbano.
Com informações de Agência Brasil
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