O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra Cuba ao declarar que espera ter a “honra” de “tomar” o país caribenho e que “pode fazer o que quiser” com a ilha. A afirmação foi feita a jornalistas durante um evento de autógrafos no Salão Oval, em momento em que representantes de Washington e Havana iniciam conversações voltadas a melhorar uma relação marcada por conflitos desde 1959.
Comentários em meio a negociações
As declarações ocorreram enquanto as duas nações tentam retomar o diálogo após décadas de tensão. Segundo Trump, qualquer decisão sobre Cuba estaria ao alcance de seu governo, apesar de a Casa Branca não ter detalhado base legal para eventual intervenção. O líder norte-americano também disse que, antes de tratar do futuro cubano, pretende “resolver o Irã”, conforme relatou no domingo (15) a bordo do Air Force One.
Crise energética e bloqueio de petróleo
Cuba enfrenta grave crise econômica, agravada pelo bloqueio norte-americano à importação de petróleo venezuelano. Havana informa que não recebe carregamentos de combustível há três meses, resultando em racionamento severo, paralisação de setores produtivos e blecautes prolongados. Na segunda-feira, a rede elétrica entrou em colapso, deixando os 10 milhões de habitantes do país sem energia.
Objetivo de retirar Díaz-Canel
O jornal The New York Times noticiou que a destituição do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, de 65 anos, é um dos principais objetivos dos Estados Unidos nas tratativas bilaterais. Fontes ouvidas pelo periódico afirmam que negociadores norte-americanos sinalizaram que a saída do dirigente deve ocorrer, embora pretendam deixar os passos seguintes a cargo dos cubanos.
Resposta de Havana
Díaz-Canel, que assumiu o poder em 2018 após Fidel e Raúl Castro, declarou esperar que o diálogo com Washington se dê “sob princípios de igualdade, respeito aos sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação”. O governo cubano tradicionalmente rejeita qualquer interferência externa e considera tais exigências um entrave a acordos.
Pressão regional
Depois de remover Nicolás Maduro do comando da Venezuela e apoiar Israel em ações militares contra o Irã, Trump insinuou que Cuba poderia ser “a próxima” na lista de prioridades de política externa. Além de bloquear o petróleo venezuelano, o presidente ameaçou impor tarifas a nações que comercializem combustível com a ilha.
Histórico de não invasão
Apesar das críticas de sucessivos presidentes norte-americanos ao governo comunista cubano e a seu histórico de direitos humanos, Washington tem mantido, desde a Crise dos Mísseis de 1962, a promessa de não invadir nem apoiar invasões ao território cubano como parte do entendimento firmado com a então União Soviética.
Até o momento, a Casa Branca não apresentou detalhes sobre mecanismos jurídicos que respaldariam uma eventual ação direta em Cuba.
Com informações de Agência Brasil
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