Trump afirma iniciar “era de ouro” dos EUA em discurso sobre o Estado da União

Robson Alves
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite de terça-feira, 24 de fevereiro, que o país ingressa em uma “era de ouro”. A afirmação foi feita durante o discurso anual sobre o Estado da União, realizado no plenário do Congresso, em Washington, e transmitido pela emissora Record. O pronunciamento ocorre em meio à queda dos índices de aprovação do governo e ao aumento da insatisfação popular com o custo de vida, a poucos meses das eleições legislativas de novembro.

Atendendo a apelos de parlamentares republicanos preocupados com a possibilidade de perderem o controle do Capitólio, Trump concentrou a primeira parte de sua fala na economia. Ele sustentou que a administração freou a inflação, impulsionou os recordes das bolsas de valores, promoveu cortes fiscais “significativos” e reduziu preços de medicamentos. Pesquisas recentes da Reuters/Ipsos, no entanto, indicam que apenas 36% dos norte-americanos aprovam sua gestão econômica.

Cerca de uma dezena de cadeiras permaneceram vazias no bloco democrata, sinal de que vários legisladores boicotaram a sessão para participar de protestos do lado de fora. Ao mesmo tempo, sondagens mostram a maioria da população desaprovando o desempenho presidencial, cenário que pode favorecer a oposição na disputa por todas as 435 vagas da Câmara e por um terço das 100 cadeiras do Senado.

Trump evitou suas habituais digressões e manteve-se próximo ao texto preparado, mas adotou tom combativo ao tratar de imigração. Ele voltou a responsabilizar migrantes irregulares por crimes violentos, ponto que provocou reações imediatas. A deputada Ilhan Omar, representante de Minneapolis, gritou: “Você matou norte-americanos!”

O clima azedou ainda mais quando o deputado Al Green foi retirado do plenário por exibir um cartaz com a frase “Os negros não são macacos”, referência a vídeo publicado nas redes sociais oficiais que retratava Barack e Michelle Obama como primatas. Outros democratas optaram por protestos silenciosos: a parlamentar Jill Tokuda vestiu jaqueta com palavras como “acessibilidade” e “saúde”, enquanto várias colegas exibiam crachás pedindo a divulgação de documentos ligados ao escândalo Jeffrey Epstein.

Inflação, tarifas e política externa

Apesar de afirmar que a inflação “cai vertiginosamente”, Trump admitiu que alimentos, moradia, seguros e serviços continuam mais caros do que anos atrás. Dados divulgados em 20 de fevereiro mostraram desaceleração da economia no último trimestre e aceleração inflacionária. O presidente culpou seu antecessor, Joe Biden, pela alta dos preços, argumento que não tem convencido o eleitorado.

A Suprema Corte derrubou, na semana passada, grande parte dos impostos de importação propostos pelo governo. No discurso, Trump classificou a decisão como “lamentável”, mas alegou impacto limitado sobre a política comercial. Ele dedicou pouco espaço à pauta internacional: voltou a dizer que “encerrou oito guerras”, minimizou a data que marcou quatro anos da invasão russa à Ucrânia e não mencionou a China. Sobre o Irã, reiterou preferência por solução diplomática, mas prometeu impedir Teerã de obter armas nucleares.

Ao final de quase duas horas, o presidente reforçou o apelo por identificação obrigatória do eleitorado, acusando os democratas de buscarem “trapacear”. A oposição rebate que a medida restringe o acesso às urnas. Resta saber se o tom otimista de Trump será suficiente para conter o avanço democrata e manter a maioria republicana no Congresso em novembro.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.