Avanço de 2,66% foi puxado pela emissão de papéis atrelados à Selic, hoje em 14,25% ao ano. Mesmo com a alta, o estoque ficou abaixo das projeções oficiais.
A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um aumento significativo em junho, alcançando R$ 9,033 trilhões. Esse valor representa uma alta de 2,66% em relação aos R$ 8,798 trilhões registrados em maio, conforme os dados divulgados pelo Tesouro Nacional.
O crescimento da dívida pública se deve, em grande parte, à emissão expressiva de títulos vinculados à Taxa Selic, que atualmente está fixada em 14,25% ao ano. Vale destacar que, em maio, a DPF já havia ultrapassado a marca de R$ 9 trilhões.
Apesar do aumento, a dívida pública permanece abaixo das projeções estabelecidas. Segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado no início do ano, a expectativa é que o estoque da DPF encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também apresentou crescimento, subindo 2,72% de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. Durante o mês passado, o Tesouro emitiu R$ 143,35 bilhões em títulos a mais do que o montante resgatado, com um enfoque especial em papéis atrelados à Selic.
O governo, por meio da apropriação de R$ 85,16 bilhões em juros, reconhece mensalmente a correção dos juros que incidem sobre os títulos, incorporando esse valor ao estoque da dívida pública. A pressão gerada pela apropriação de juros contribui para o aumento do endividamento do governo.
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No que diz respeito à Dívida Pública Federal externa (DPFe), houve um crescimento de 2,12%, passando de R$ 340,49 bilhões em maio para R$ 347,71 bilhões em junho, impulsionado pela valorização de 2,37% do dólar no período.
Outro aspecto a ser destacado é a elevação do colchão da dívida pública, uma reserva financeira importante em momentos de turbulência. Essa reserva aumentou de R$ 1,211 trilhão em maio para R$ 1,346 trilhão em junho, alcançando o maior nível desde 2015. Essa elevação é atribuída às emissões que superaram os resgates no mês.
Atualmente, essa reserva cobre 8,33 meses de vencimentos da dívida pública, e está previsto um vencimento de R$ 1,86 trilhão em títulos federais nos próximos 12 meses.
A composição da Dívida Pública Federal também apresentou mudanças significativas. Os títulos vinculados à Selic passaram de 48,99% para 49,32%, enquanto os títulos corrigidos pela inflação caíram de 26,26% para 25,9%. Os títulos prefixados se mantiveram estáveis, variando de 21% para 21,04%, e os títulos vinculados ao câmbio diminuíram ligeiramente de 3,75% para 3,74%.
O PAF prevê que, até o fim do ano, a composição dos títulos será a seguinte: entre 46% e 50% vinculados à Selic, de 23% a 27% corrigidos pela inflação, de 21% a 25% prefixados e de 3% a 7% vinculados ao câmbio.
O prazo médio da DPF apresentou uma leve queda, passando de 4,07 para 4,01 anos, o que indica o intervalo médio que o governo leva para renovar a dívida pública. Prazo maior sugere maior confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir suas obrigações.
Por fim, a composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna é a seguinte: instituições financeiras detêm 31,76%, fundos de pensão 22,52%, fundos de investimentos 22%, não-residentes 9,95% e demais grupos 13,77%. O aumento da tensão no mercado financeiro, em parte devido à guerra no Oriente Médio, resultou em uma queda na participação dos investidores não residentes em relação ao mês anterior.
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