Tesouro Direto bate recorde em maio e atinge R$ 10,22 bi com novo título

Robson Alves
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Lançamento do Tesouro Reserva impulsionou vendas históricas em maio. Alta de 49% ante 2024 reforça confiança dos investidores em renda fixa pública.

As vendas de títulos públicos do Tesouro Direto alcançaram um recorde histórico para o mês de maio, totalizando R$ 10,22 bilhões. Esse valor foi impulsionado pelo lançamento do novo título Tesouro Reserva, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional.

Comparado ao mês anterior, abril, onde as vendas somaram R$ 8,55 bilhões, houve um aumento de 19,46%. Além disso, em relação ao mesmo mês do ano passado, o crescimento foi ainda mais expressivo, com um salto de 48,98%.

“O recorde de vendas evidencia a crescente confiança dos investidores no mercado de títulos públicos”, destaca um representante do Tesouro Nacional.

Os títulos mais procurados pelos investidores em maio foram aqueles vinculados aos juros básicos, representando 54,5% do total das vendas. Dentro desse grupo, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) foram as mais populares, com vendas totalizando R$ 4,05 bilhões, ou 39,6% do total.

O novo título Tesouro Reserva, que funciona de maneira similar às caixinhas de bancos digitais, também se destacou, com vendas de R$ 1,52 bilhão, correspondendo a 14,9% do total vendido.

Além disso, os papéis corrigidos pela inflação, que são indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), corresponderam a 22,5% do total, enquanto os títulos prefixados, que têm juros definidos no momento da emissão, somaram 16,1%.

O Tesouro Renda+, lançado no início de 2023 e voltado para o financiamento de aposentadorias, representou 5,3% das vendas. Por outro lado, o Tesouro Educa+, que visa financiar uma poupança para o ensino superior e foi criado em agosto de 2023, teve apenas 1,6% de participação.

O elevado interesse por títulos atrelados aos juros básicos se deve ao atual patamar da Taxa Selic, que está fixada em 14,25% ao ano. Com essa taxa alta, esses papéis se mostram atrativos para os investidores. Os títulos vinculados à inflação também têm atraído a atenção, especialmente devido às expectativas de aumento da inflação oficial nos próximos meses.

No final de maio, o estoque total do Tesouro Direto chegou a R$ 251,01 bilhões, um crescimento de 3,61% em relação ao mês anterior, quando estava em R$ 242,26 bilhões. Esse aumento foi impulsionado pela correção pelos juros e pela superação das vendas em relação aos resgates, que totalizaram R$ 6,06 bilhões no último mês.

O número de investidores também teve um crescimento significativo. Em maio, 267.136 novos participantes se juntaram ao programa, elevando o total para 35.591.801 investidores. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 9,53%. O número de investidores ativos, aqueles com operações em aberto, atingiu 3.592.215, uma alta de 19,19% em um ano.

A popularidade do Tesouro Direto entre pequenos investidores é evidenciada pelo número expressivo de vendas de até R$ 5 mil, que corresponderam a 78,1% do total de 1.192.100 operações realizadas em maio. As aplicações de até R$ 1 mil, por sua vez, representaram 54,7% das transações, com o valor médio por operação sendo de R$ 8.570,70.

Os investidores têm demonstrado preferência por títulos de curto prazo, com as vendas de papéis de até cinco anos representando 46,6% do total. Já os títulos com prazo entre cinco e dez anos corresponderam a 34,4%, enquanto os papéis com mais de dez anos representaram 19% das vendas.

O Tesouro Direto, criado em janeiro de 2002, visa democratizar o acesso a esse tipo de investimento, permitindo que pessoas físicas adquiram títulos públicos diretamente pela internet, sem a necessidade de intermediários.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.