SUS Amplia Vacinação com Nova Vacina Pneumocócica a Partir de Junho

Claudio Vasconcelos
5 Min Leitura

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) dará início à aplicação de um novo imunizante contra a doença pneumocócica, a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20). Essa vacina substituirá a versão 10-valente, proporcionando proteção contra o dobro de sorotipos da bactéria.

Na última quarta-feira, 27 de maio, o Ministério da Saúde divulgou um guia técnico preliminar com orientações para os profissionais de saúde sobre essa mudança. Os municípios poderão começar a aplicar a nova vacina assim que receberem o imunizante disponível.

A doença pneumocócica, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, pode levar a quadros leves, como inflamação no ouvido e sinusite, mas também pode ser bastante grave, resultando em pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Estima-se que essa bactéria seja responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade em torno de 30%. Além das crianças pequenas, os idosos e pessoas com comorbidades ou sistema imunológico comprometido são mais vulneráveis.

A vacinação com a VPC10 foi incorporada ao calendário básico infantil em 2010, resultando em uma redução de 60% nos casos de doença meningocócica causada pelos 10 sorotipos incluídos na vacina em crianças de até dois anos. Os casos de meningite pneumocócica também apresentaram uma queda de 65% na mesma faixa etária.

No entanto, nos últimos anos, houve um aumento nos casos. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos, e de 2022 a 2024, essa média subiu para 211,3 casos.

A Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, destacou que esse aumento é reflexo de uma mudança epidemiológica. Ela explicou: “A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, mas o pneumococo tem uma característica que chamamos de ‘replacement’: ao controlar um tipo, outro pode começar a ganhar espaço”.

Dados do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por dois tipos da bactéria não cobertos pela VPC10, mas que estão incluídos na nova VPC20. Flávia complementou: “Nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos tipos adicionais da vacina 20-valente, o que indica que poderemos reduzir a curva de incidência com essa nova proteção”.

As vacinas pneumocócicas conjugadas, como a VPC10 e a VPC20, também ajudam a evitar que o pneumococo se instale na nasofaringe dos vacinados, além de prevenir a transmissão, oferecendo proteção indireta a quem não está vacinado.

O Programa Nacional de Imunizações já disponibiliza vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, como a VPC13 e a VPP23, para grupos específicos com condições de saúde que aumentam o risco de formas graves da doença. Essas vacinas também serão substituídas pela VPC20 após o término dos estoques.

Os grupos de alto risco que devem receber a nova vacina incluem pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados de órgãos sólidos ou medula, imunodeficientes, e aqueles com condições crônicas como nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias. Asma grave, diabetes, síndrome de Down e prematuridade também estão entre as condições que requerem atenção.

O calendário de vacinação estipula que bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica aos 2 e 4 meses de idade, com um reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não foram vacinadas na idade correta devem atualizar sua carteira de vacinação o quanto antes.

Neste período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Aqueles que já tomaram a primeira dose da 10-valente receberão a 20-valente na segunda dose e no reforço.

A vacina é contraindicada apenas para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula ou que tiveram uma reação alérgica severa em doses anteriores. Além disso, recomenda-se que aqueles com febre esperem a recuperação antes de se imunizar.

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.