Sindisan acusa operadores da Iguá de falhas e rejeita versão de “sabotagem”

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O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (Sindisan) divulgou nota oficial nesta semana em que contesta a versão apresentada pela concessionária Iguá e pelo Governo do Estado sobre incidentes de desabastecimento na região. Segundo o sindicato, a tentativa de atribuir os problemas a atos de “sabotagem” busca criminalizar profissionais e encobrir falhas de gestão.

Na manifestação, organizada em cinco tópicos, o Sindisan afirma que a explicação oficial para a falta de água em áreas como Zona de Expansão, Mosqueiro, Santa Maria, Robalo e adjacências é tecnicamente inconsistente. O sindicato destacou que o sistema que abastece essas localidades depende de adutoras oriundas de três frentes — Poxim, São Francisco e Cabrita — e que a rede supostamente “vandalizada” provém da Estação da Cabrita, responsável por menos de 20% do volume destinado àquela área.

Em outro ponto, o Sindisan atribui parte do problema a um desequilíbrio operacional e à perda de “know-how” desde a chegada da Iguá. De acordo com o sindicato, procedimentos de calibração teriam sido abandonados e há relatos de válvulas sendo abertas e fechadas sem observância das posições de equilíbrio necessárias para manter a pressão da rede. Para a entidade, o desabastecimento decorre de uma curva de aprendizado insuficiente e de deficiência na operação por parte da nova concessionária.

O sindicato também afirma ter obtido registros fotográficos de um equipamento danificado, que, segundo a entidade, revelam uma válvula em avançado estado de deterioração. Com base nessas imagens, o Sindisan sustenta ser tecnicamente impossível concluir de imediato que o bloqueio foi causado por ação humana deliberada, apontando para a possibilidade de fadiga de material ou falta de manutenção.

O comunicado critica ainda declarações da Iguá e do Governo que ressaltaram a necessidade de “conhecimentos específicos e chaves adequadas” para a ação apontada como vandalismo, o que, na visão do sindicato, lança suspeitas indevidas sobre os trabalhadores do saneamento. O Sindisan chama atenção para o fato de que o episódio ocorreu justamente na rede de menor impacto, o que considera uma narrativa conveniente para justificar falhas iniciais da concessionária.

Nos últimos tópicos da nota, o sindicato defende a dignidade dos trabalhadores da DESO e denuncia tratamento diferenciado entre servidores e a empresa. O Sindisan informou que acionará órgãos de fiscalização e instâncias jurídicas para acompanhar o inquérito sobre a suposta sabotagem e exigiu uma investigação técnica isenta, “que não sirva de cortina de fumaça para a incompetência administrativa que hoje castiga o povo sergipano”.

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