Secretário de Estado dos EUA discute combate às drogas no México e no Equador enquanto tensão com Venezuela cresce

Robson Alves
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, iniciou nesta terça-feira (2) uma viagem pelo México e, em seguida, pelo Equador para tratar de medidas de combate ao narcotráfico, em meio a ameaças de ação militar norte-americana contra a Venezuela.

De acordo com comunicado do Departamento de Estado, a agenda inclui “medidas rápidas e decisivas” para desmantelar cartéis, conter o tráfico de fentanil, frear a imigração irregular, reduzir o déficit comercial, estimular a prosperidade econômica e “neutralizar atores malignos extraterritoriais”.

México rejeita intervenção

Em coletiva de imprensa na Cidade do México, a presidenta Claudia Sheinbaum afirmou que não aceitará qualquer operação norte-americana em território mexicano. “Não admitimos interferência, violação de nosso território ou subordinação. Defendemos cooperação em condições de igualdade”, declarou.

Escalada contra a Venezuela

A Casa Branca acusa o governo venezuelano de chefiar um cartel de drogas e mobilizou navios de guerra na costa do país caribenho. O presidente Nicolás Maduro disse, na segunda-feira (1º), que oito embarcações de guerra e um submarino nuclear com 1,2 mil mísseis estão posicionados contra a Venezuela. “É uma ameaça extravagante, injustificável e criminosa”, afirmou, prometendo declarar o país “república em armas” se for atacado.

Washington elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro. O líder venezuelano sustenta que o tema antidrogas serve apenas de pretexto para forçar uma mudança de regime em Caracas.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a criticar qualquer operação militar contra o país vizinho, alertando que o conflito poderia se estender por toda a região.

Próxima parada: Equador

Após a passagem pelo México, Rubio se reunirá na quinta-feira (4) com o presidente do Equador, Daniel Noboa. Alinhado à política da Casa Branca, Noboa pretende realizar em dezembro um referendo para derrubar a proibição constitucional de bases militares estrangeiras no país.

Com a desmobilização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016, o tráfico de drogas migrou para o Equador, elevando a taxa de homicídios de 7,8 para 45,7 por 100 mil habitantes entre 2020 e 2023. Diante da escalada da violência, Noboa decretou “conflito armado interno” e trocou toda a cúpula militar na segunda-feira.

Bananas e cocaína

Maduro questionou a escolha do Equador como aliado dos EUA no combate ao narcotráfico, citando relatórios da ONU e da União Europeia que apontam o país como rota importante da cocaína. Segundo a polícia equatoriana, cerca de 70% da droga apreendida é escondida em carregamentos de banana, principal produto de exportação da família de Noboa.

O presidente venezuelano acusou empresas ligadas à família do mandatário equatoriano de tráfico de drogas para a Europa. Noboa, reeleito em abril para um mandato de quatro anos, adota política de “mão dura” inspirada no modelo salvadorenho contra o crime organizado.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.