Saúde suspende vacina do Butantan após mortes investigadas

Rafael Ramos
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Duas mortes e 42 reações graves levaram o governo a pausar a imunização. Ministério aguarda investigação antes de retomar aplicações no país.

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho, a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes que estão sob investigação.

A suspensão entra em vigor a partir de amanhã, 9 de junho, enquanto as autoridades sanitárias realizam uma investigação sobre a possível relação entre os eventos adversos e a aplicação da vacina. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que “ainda não há comprovação de causalidade entre a vacina e os óbitos”.

Até o momento, cerca de 500 mil doses da vacina foram administradas em todo o Brasil, e os 42 casos de reações adversas graves estão sendo analisados por equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.

A vacina é a primeira produzida integralmente no Brasil e também a primeira no mundo com um esquema de dose única. A campanha de vacinação começou este ano, priorizando profissionais da saúde.

Como medida de precaução, o Ministério da Saúde orienta que pessoas que foram vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento. Essa recomendação visa monitorar possíveis efeitos adversos e assegurar que atendimento médico adequado esteja disponível caso surjam sintomas.

Os sintomas a serem observados incluem febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.

Entre os casos graves, destaca-se o de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação, evoluindo para um quadro compatível com dengue grave, o que exigiu internação em UTI. Ela recebeu alta hospitalar.

Outro caso grave envolveu uma mulher de 48 anos que, 19 dias após a vacinação, desenvolveu sintomas de dengue grave e comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite. Infelizmente, ela faleceu. O terceiro caso foi de um homem de 58 anos que também faleceu após apresentar febre e evoluir para um quadro grave de dengue com choque refratário.

Esses episódios são considerados sinais de alerta, mas, segundo o Ministério da Saúde, ainda não é possível afirmar que a vacina tenha causado as reações observadas. As duas mortes continuam sob investigação, e especialistas estão analisando informações clínicas e exames laboratoriais para determinar qualquer possível relação com a vacinação.

A partir da terça-feira, 9 de junho, a estratégia de vacinação será interrompida enquanto os dados de segurança são revisados. O Ministério da Saúde reforçou que ampliará o monitoramento de casos na rede hospitalar, com atenção especial para aqueles que receberam a vacina recentemente. É fundamental que qualquer sintoma ou reação adversa seja reportada aos serviços de saúde para investigação.

Apesar da suspensão, o ministro Alexandre Padilha reafirmou que as evidências disponíveis ainda demonstram que a vacina protege contra os quatro sorotipos da dengue. A suspensão visa aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes de retomar a campanha de vacinação.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.