O São Paulo Futebol Clube informou ter prestado todos os esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) depois de receber uma denúncia anônima que acusa a atual diretoria de gestão temerária, passível de causar prejuízos financeiros e institucionais.
De acordo com nota oficial, a agremiação colocou-se “à disposição para novos questionamentos” e ressaltou que, até o momento, não há inquérito instaurado.
Quatro pontos questionados
O MP-SP enviou ofício ao clube pedindo detalhes sobre:
- Venda de atletas das categorias de base abaixo do valor de mercado;
- Déficit projetado de R$ 287 milhões para a temporada 2024;
- Suposta irregularidade na parceria com a empresa Galápagos envolvendo o chamado Fundo de Cotia;
- Possível conflito de interesses pelo fato de o filho do presidente Julio Casares ser sócio de Aref Abdul Latif, agente de jogadores vinculados ao Tricolor, em uma empresa do setor pet.
Argumentos da defesa
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o advogado do São Paulo, Guilherme Salutti, detalhou as respostas encaminhadas ao MP-SP:
Vendas de atletas – Salutti afirmou que não existe “valor de mercado” fixo para jogadores, pois o montante depende da disposição de compra e venda no momento da negociação. Segundo ele, um estudo comparativo mostrou que as transações do clube estão alinhadas às realizadas por equipes como Flamengo e Fluminense.
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Déficit de 2024 – O orçamento foi considerado “ambicioso” após o título da Copa do Brasil de 2023, prevendo altas receitas de premiações e de transferências. A eliminação precoce em competições e lesões de atletas com maior valor de mercado, como Pablo Maia, teriam inviabilizado as metas.
Parceria com a Galápagos – A defesa declarou que o projeto pretendia criar um novo CNPJ para a base, com divisão de lucros de 70% para o clube e 30% para o investidor, sem compartilhamento de direitos econômicos, o que é vedado pela Fifa. O plano foi suspenso pela própria diretoria.
Conflito de interesses – O filho de Casares e Aref teriam aberto um CNPJ em 2020 para uma plataforma de produtos para pets que nunca operou nem movimentou recursos. Uma auditoria interna de compliance entrevistou treinadores das categorias de base, que negaram interferências externas na contratação de oito jogadores agenciados por Aref.
O São Paulo reiterou que “gestão temerária” pressupõe dolo, o que não foi individualizado na denúncia. O clube aguarda eventual nova manifestação do Ministério Público.
Fonte: Futebol Interior
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