Robôs humanoides exibem artes marciais em gala do Ano Novo Lunar na China

William Kevim
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Uma tropa de robôs humanoides dominou o palco principal da Gala do Festival da Primavera da emissora estatal CCTV, na terça-feira (17), e transformou a tradicional celebração do Ano Novo Lunar em uma vitrine das ambições tecnológicas de Pequim. Durante a transmissão, considerada o programa de maior audiência do país e comparada ao Super Bowl norte-americano em alcance cultural, as máquinas executaram sequências completas de artes marciais diante de milhões de telespectadores.

Os modelos fabricados pela Unitree foram os mais comentados da noite. Eles saltaram, giraram de costas, empunharam espadas e bastões e ainda simularam o estilo “boxe bêbado”, caracterizado por passos trôpegos e quedas propositais. A capacidade de se levantarem rapidamente após cada tombamento foi destacada como demonstração de estabilidade e autonomia.

Outras empresas também aproveitaram o horário nobre. Robôs da Noetix contracenaram com atores em um quadro de comédia, enquanto unidades da MagicLab integraram um número musical dançando de forma sincronizada com artistas ao som de “We Are Made in China”. O chatbot de inteligência artificial Doubao, desenvolvido pela ByteDance, teve participação especial, reforçando a presença de soluções de IA no evento.

Showroom tecnológico em rede nacional

A gala, transmitida anualmente há décadas, funciona como uma vitrine das prioridades de política industrial do governo chinês. “O que diferencia esse espetáculo de eventos semelhantes em outros países é a ligação direta entre a estratégia estatal para a indústria e o entretenimento em horário nobre”, avaliou Georg Stieler, diretor da consultoria Stieler, em entrevista à Reuters.

De acordo com o consultor, companhias que sobem ao palco costumam receber benefícios como contratos públicos e maior visibilidade entre investidores. No ano passado, 16 robôs da Unitree já haviam causado sensação ao dançar em sincronia com artistas humanos.

Os números mantêm o otimismo do setor. Segundo a consultoria Omdia, cerca de 13 mil robôs humanoides foram vendidos no mundo em 2025, e 90% deles ficaram na China. O banco Morgan Stanley projeta que as vendas domésticas ultrapassem 28 mil unidades em 2026, mais do que o dobro do total registrado no ano anterior.

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Imagem: Reprodução/CCTV

A velocidade desse avanço desperta atenção de concorrentes internacionais. O empresário Elon Musk, cuja Tesla desenvolve o robô Optimus, declarou recentemente que espera enfrentar a maior competição justamente de fabricantes chineses. “As pessoas fora da China subestimam a China, mas a China é de outro nível”, afirmou o executivo no mês passado.

Em 2025, a gala alcançou 79% dos televisores ligados no país, segundo dados da própria CCTV. A edição deste ano reforçou a estratégia de combinar cultura popular, patriotismo e uma mensagem clara de que a China pretende liderar a próxima geração da robótica e da manufatura avançada.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.