O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, deixou o cargo nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, para disputar uma cadeira no Senado nas eleições de outubro. A saída desencadeou uma sucessão atípica: o presidente do Tribunal de Justiça fluminense, desembargador Ricardo Couto, assumiu o Palácio Guanabara de forma interina.
A solução jurídica ocorre porque o estado está sem vice-governador desde 2025. Thiago Pampolha, que ocupava o posto, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) naquele ano. Já o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar, permanece licenciado do mandato. Ele foi preso pela Polícia Federal em 3 de dezembro de 2025, durante a Operação Unha e Carne, e renovou o afastamento em fevereiro.
Com Bacellar fora de ação, o desembargador Ricardo Couto, na condição de chefe do Poder Judiciário estadual, passa a chefiar o Executivo até que seja definido um governador tampão. Pela legislação, Couto tem dois dias para convocar eleição indireta na Alerj. Os 70 deputados deverão escolher, em até 30 dias, quem comandará o estado até 31 de dezembro, quando tomará posse o vencedor do pleito geral de outubro.
Processo no TSE segue em pauta
Embora a renúncia encerre o mandato de Claudio Castro, o ex-governador continua respondendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele é réu por suposto abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. O julgamento, suspenso em 10 de março por pedido de vista do ministro Nunes Marques, será retomado às 19h desta terça-feira, 24 de março. Até agora, o placar é de 2 a 0 pela cassação; restam cinco votos.
Também figuram na ação o ex-vice Thiago Pampolha, o deputado Rodrigo Bacellar e o ex-presidente da Fundação Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes. O Ministério Público Eleitoral aponta contratação de 27.665 servidores temporários sem respaldo legal, além da descentralização de projetos sociais que teriam movimentado R$ 248 milhões, conferindo vantagens à campanha de 2022.
Acusações contra Bacellar
No processo criminal que levou à sua prisão preventiva, Bacellar é investigado por vazamento de informação sigilosa da própria Polícia Federal. As mensagens interceptadas pela corporação embasaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o afastou da presidência da Alerj. Segundo a PF, o parlamentar teria repassado dados sobre investigações que envolvem o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, suspeito de intermediar armas para a facção Comando Vermelho.
Enquanto a Assembleia não define o sucessor tampão, Ricardo Couto administra o estado com poderes plenos, mas dentro de prazos rígidos. A expectativa é de intensa articulação entre bancadas para formar chapas e garantir maioria simples na votação indireta.
Com informações de Agência Brasil
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



