A líder mais conhecida da ala radical da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou que voltará “o mais breve possível” à Venezuela, após o sequestro do presidente Nicolás Maduro no sábado (3). A declaração foi dada em entrevista exclusiva à emissora norte-americana Fox News, na qual ela também dirigiu fortes críticas à presidente interina Delcy Rodríguez e elogiou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Machado reagiu às declarações de Trump, que descartou a possibilidade de ela assumir o comando do país, alegando falta de apoio interno. Mesmo assim, a opositora agradeceu ao norte-americano e classificou o dia 3 de janeiro como “marco histórico” na luta contra a “tirania”.
Acusações contra Delcy Rodríguez
Na entrevista, a ex-deputada afirmou que Delcy Rodríguez seria “uma das principais arquitetas da repressão estatal” e, segundo ela, manteria vínculos estreitos com Rússia, China e Irã, o que afastaria investidores internacionais. Machado reiterou que pretende transformar a Venezuela “no centro energético das Américas”, restabelecer o Estado de Direito e criar condições para o retorno de milhões de venezuelanos que emigraram.
Eleições contestadas
Impedida de disputar a eleição presidencial de 2024 por condenação por corrupção, Machado indicou o diplomata Edmundo González como candidato. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) apontou vitória de Maduro na votação de 28 de julho de 2024, mas não divulgou dados detalhados por urna. A oposição – respaldada por observadores internacionais – sustenta que González foi o real vencedor e não reconhece o resultado oficial.
Do exterior, González voltou a declarar-se presidente legítimo e pediu às Forças Armadas que cumpram “o mandato soberano” de 28 de julho. Os militares, porém, não reconhecem sua autoridade.
Prêmio Nobel e retorno planejado
Em outubro deste ano, María Corina Machado foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz por sua atuação contrária aos governos chavistas. Ela deixou a Venezuela em dezembro para receber a honraria na Europa e agora afirma que voltará assim que possível.
Oposição dividida
De acordo com o professor Rodolfo Magallanes, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central da Venezuela, a oposição permanece fragmentada entre um grupo radical — liderado por Machado — e outra ala, considerada moderada, que aceita dialogar com o governo interino de Delcy Rodríguez. Não há conversas formais entre os dois segmentos.
No Parlamento, o deputado Stalin González (Partido Um Novo Tempo) defendeu o diálogo para libertar pessoas presas por motivos políticos. Já os partidos alinhados a Machado boicotaram a eleição legislativa de maio de 2025, alegando falta de condições de concorrência. O ex-candidato presidencial e ex-governador Henrique Capriles discordou do boicote, concorreu e foi eleito deputado federal para o período 2026-2031. Após o sequestro de Maduro, Capriles pediu uma transição ordenada, libertação de presos e a “superação de erros que mantêm o país no retrocesso”.
Trump prioriza diálogo com Delcy
Questionado sobre a sucessão venezuelana, o presidente Donald Trump declarou que pretende negociar com Delcy Rodríguez, afirmando que María Corina Machado “não tem apoio interno nem respeito necessário” para liderar o país. Segundo ele, Machado é “uma pessoa simpática”, mas carece de respaldo suficiente.
Fonte: Agência Brasil
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