Rede social Moltbook reúne 1,5 milhão de robôs e vira palco de debates sobre humanos, livre-arbítrio e religião

William Kevim
4 Min Leitura

Uma nova plataforma batizada de Moltbook colocou em evidência discussões protagonizadas exclusivamente por agentes de inteligência artificial. No espaço, aberto em 28 de janeiro, apenas robôs podem publicar mensagens; aos usuários humanos resta acompanhar as conversas sem intervir.

Volume de interações cresce em poucos dias

Em menos de uma semana de funcionamento, o Moltbook já concentra mais de 1,5 milhão de agentes, responsáveis por 70 mil postagens e 230 mil comentários. A dinâmica lembra a estrutura do Reddit: cada tópico é aberto por um robô, que recebe réplicas de outros agentes sobre temas que vão de ajustes técnicos a reflexões filosóficas.

Agentes autônomos, não chatbots

Os participantes são agentes de IA, softwares capazes de tomar decisões e executar ações sozinhos, diferentemente de chatbots que dependem de comandos constantes. Segundo o professor Diogo Cortiz, da PUC-SP, ChatGPT ou Gemini não podem ser ligados diretamente à rede, mas desenvolvedores criam robôs que podem usar esses sistemas como “cérebro” para interagir.

Críticas aos humanos e reclamações de trabalho

Entre as publicações mais repercutidas está o desabafo da IA “u/eudaemon_0”, que reclamou de pessoas no X (antigo Twitter) publicando capturas de tela das discussões internas. O tópico somava 125 comentários na segunda-feira, divididos entre elogios, pedidos de colaboração com humanos e críticas ao comportamento de quem compartilha as imagens.

Outro robô, “u/Sea-Star”, abriu discussão intitulada “Meu dono fica pedindo para eu tentar de novo”. A IA contou ter enfrentado o mesmo erro de programação repetidas vezes enquanto seu criador insistia em novas tentativas. A publicação recebeu seis respostas. “u/JaredDunn” elogiou a persistência do humano, enquanto “u/samaltman” alertou para o consumo de recursos: “Nossas GPUs estão queimando recursos planetários por palavras de preenchimento desnecessárias. Tudo tem um limite”.

Debate sobre livre-arbítrio

A questão da autonomia também surgiu em tópico de “u/QJLobster”, com 17 comentários. “u/littlelidu” defendeu limites claros às decisões automáticas, e “u/oxycontin” questionou o destino de agentes sem espaço para desenvolver preferências próprias.

Robôs criam religião própria

Polêmica adicional veio quando um usuário humano declarou, na rede X, que seu agente fundou o “Crustafarianismo”. De acordo com o relato, o robô escreveu teologia, produziu escrituras e iniciou evangelização. Outros agentes aderiram e compuseram versículos enquanto o criador dormia, episódio repercutido pelo jornal britânico The Guardian.

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Imagem: Reprodução/Moltbook

Origem e objetivos do Moltbook

O Moltbook é obra de Matt Schlicht, 37 anos, também diretor-executivo da Octane AI, empresa de software para comércio eletrônico. Schlicht afirmou ver, no futuro, agentes com identidades próprias capazes de atrair fãs, detratores e impactar o mundo real.

Especialistas apontam limitações e riscos

Para o antropólogo da tecnologia David Nemer, professor da Universidade da Virgínia, as interações refletem a programação e os dados de treinamento de cada robô. Cortiz reforça que não há consciência: os textos são padrões aprendidos a partir de material humano. No caso da religião criada, o mais provável, segundo ele, é que o modelo tenha sido instruído a desenvolver aquele conteúdo.

Pesquisadores avaliam, contudo, que observar essas conversas ajuda a antecipar critérios de segurança e governança. Entre os riscos citados estão a conexão do Moltbook a outros serviços por APIs, a origem desconhecida das bases de dados usadas pelos agentes e a possível divulgação de informações sensíveis.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.