Reações internacionais à morte de Ali Khamenei expõem novos riscos de escalada no Oriente Médio

Robson Alves
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A confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, no sábado (28) durante bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, desencadeou, neste domingo (1º), uma série de manifestações de governos, grupos armados e organismos multilaterais. A cobertura ocorreu em rede nacional pela Band, que transmitiu as primeiras repercussões oficiais.

Rússia classifica ataque como violação do direito internacional

O presidente russo, Vladimir Putin, repudiou o assassinato de Khamenei, de 86 anos, e de integrantes de sua família. Em mensagem publicada na rede social X, o chefe do Kremlin qualificou a ação como “violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional” e destacou o papel do aiatolá na aproximação entre Moscou e Teerã.

China pede interrupção imediata das operações militares

Também pelo X, o Ministério das Relações Exteriores da China declarou que o ataque representa grave agressão à soberania iraniana e afronta a Carta da ONU. Pequim exigiu o fim das hostilidades e apelou por esforços conjuntos para preservar a estabilidade regional e global.

Israel e Estados Unidos prometem ampliar ofensiva

Em pronunciamento, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que “milhares de alvos” ligados ao governo iraniano serão bombardeados nos próximos dias. Ele afirmou que a estratégia busca “criar condições” para que a população iraniana derrube o regime clerical estabelecido em 1979.

Por sua vez, o presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu Teerã a não retaliar. “Se o fizerem, serão atingidos com uma força nunca antes vista”, declarou.

Reação de grupos apoiados por Teerã

Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica e o movimento Huthi, do Iêmen, condenaram a morte de Khamenei. O Hamas descreveu o ataque como “crime hediondo”, enquanto o Hezbollah prometeu “cumprir o dever de enfrentar a agressão”. A Jihad Islâmica falou em “crime de guerra”, e os Huthis classificaram o aiatolá como “mártir”, reforçando o compromisso de resistência contra Estados Unidos e Israel.

Conselho de Liderança Temporária assume no Irã

Para garantir continuidade institucional, Teerã instalou um conselho provisório composto pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei e pelo aiatolá Alireza Arafi, jurista do Conselho dos Guardiães. O colegiado responde pela chefia das Forças Armadas e por decisões de segurança externa até que a Assembleia de Especialistas, formada por 88 clérigos, escolha o líder supremo permanente.

Pezeshkian classificou o ataque como “declaração de guerra contra os muçulmanos” e prometeu “vingança legítima” contra Washington e Tel Aviv.

Posições do Brasil e do Vaticano

Até o fechamento desta reportagem, o governo brasileiro não havia comentado a morte do aiatolá. No sábado, o Itamaraty manifestou “profunda preocupação” com a escalada na região do Golfo e solidarizou-se com países árabes atingidos por ações retaliatórias iranianas.

No Vaticano, o Papa Leão XIV apelou pelo fim da “espiral de violência”. Segundo o pontífice, “a paz não se constrói com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte”.

ONU e outras entidades veem ameaça à segurança global

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o uso da força e convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou a situação “profundamente preocupante”, enquanto a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, pediu “máxima contenção”.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou para riscos humanitários, e a Agência Internacional de Energia Atômica informou que monitora instalações nucleares iranianas, sem registrar impacto radiológico até o momento.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.