São Paulo – Uma operação deflagrada pela Polícia Federal em 2019 levou à prisão de um brasileiro que administrava cinco dos maiores fóruns de abuso sexual infantil na dark web e desencadeou, desde então, uma série de ações policiais em vários países. O caso volta a público no documentário “Infiltrados na Dark Web”, produção da BBC News Brasil em parceria com a BBC Eye, cuja transmissão no Brasil ocorre pela Band.
Conhecido online como “Lubasa”, o investigado era responsável por plataformas com quase 2 milhões de usuários espalhados pelo mundo. Segundo a PF, os servidores apreendidos em sua residência continham a maior quantidade já reunida de arquivos relacionados a pedofilia na internet oculta, base que permitiu o rastreamento e a prisão de centenas de suspeitos em vários continentes.
A investigação
A caçada a Lubasa começou após a detenção de “Twinkle”, português que abastecia um dos fóruns – o BabyHeart – com cenas de abuso de até 15 crianças. Twinkle foi localizado em um vilarejo no norte de Portugal, dormindo ao lado de duas vítimas menores de idade; seus arquivos ficavam enterrados em uma floresta próxima. Questionado sobre como retirar o site do ar, apontou o brasileiro como o único capaz de fazê-lo, chamando-o de “chefão”. Ele cumpre 21 anos de prisão em Portugal.
Com apoio de agentes dos Estados Unidos, Rússia e Portugal, os investigadores brasileiros cruzaram mensagens, horários de acesso e detalhes técnicos até chegarem ao nome verdadeiro de Lubasa. Na operação, os policiais encontraram o suspeito em meio a muito lixo, apreenderam equipamentos avaliados em milhares de reais e tiraram do ar os cinco fóruns. Hoje, o brasileiro cumpre 266 anos de pena.
Desdobramentos internacionais
O material capturado possibilitou à coalizão de forças policiais e à Interpol identificar usuários ativos na produção ou no consumo de conteúdos de abuso. Um dos casos mais emblemáticos envolveu o resgate, na Rússia, de um menino de sete anos que estava desaparecido havia 52 dias. Agentes norte-americanos encontraram na base imagens recentes da criança, publicadas por um usuário que se apresentava como “Lover Boy Only” e dizia planejar homicídio. A partir de cruzamento de dados – local de trabalho do irmão, morte da mãe em acidente de carro e histórico de esquizofrenia – chegou-se ao russo Dimitriy Kopylov, preso em flagrante com o garoto, que foi devolvido à família.
Trabalho contínuo
Delegada da Divisão de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, Rafaella Parca afirma que a detenção de Lubasa marcou, ao mesmo tempo, o encerramento e o reinício de várias investigações. “Cada prova leva a outro suspeito”, resume. Para Greg Squire, do Departamento de Segurança Interna dos EUA, o impacto foi direto na redução da circulação de material, mas a demanda continua a estimular novos crimes, razão pela qual as ações seguem em curso.
Sete anos após a prisão, os bastidores da operação e o cotidiano dos policiais infiltrados são revelados no documentário da BBC. Além de mostrar detalhes inéditos da captura do brasileiro, a produção acompanha agentes em três continentes e destaca os desafios de atuar em uma área da internet criada pelo Departamento de Defesa dos EUA nos anos 1990 para comunicações sigilosas, mas que acabou abrigando parte do mais grave conteúdo de exploração infantil.
Com informações de G1
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