Em comemoração ao aniversário de 171 anos de Aracaju, representantes de diferentes casas de matriz africana reuniram‐se na capital sergipana para um encontro marcado por expressões de fé, herança cultural e resistência. A programação contou com as apresentações dos grupos Samba de Terreiro, Afoxé Filhos de Gandhy, Afoxé Di Preto e da cantora Ana Mametto.
Os artistas subiram ao palco em sequência, proporcionando ao público um recorte das sonoridades que fazem parte do cotidiano dos terreiros. O Samba de Terreiro abriu a noite entoando cantigas tradicionais, seguidas de toques de atabaque que convidaram o público a acompanhar o ritmo com palmas e passos cadenciados.
Na continuidade, o Afoxé Filhos de Gandhy trouxe para a festa o cortejo típico de inspiração afro-baiana, reforçando a mensagem de paz disseminada pelo grupo. Os integrantes vestiram‐se de branco, cor associada à purificação e, simbolicamente, espalharam flores enquanto executavam cânticos de religiões de matriz africana.
O Afoxé Di Preto manteve o clima festivo, guiado por alfaias e agogôs que conduziram coreografias circulares. A participação do coletivo contribuiu para evidenciar a pluralidade de ritmos que coexistem nos espaços sagrados dos terreiros, onde música e religiosidade caminham lado a lado.
Fechando a noite, a intérprete Ana Mametto apresentou um repertório que passeou por temas ligados às tradições afro-brasileiras. Sua voz, acompanhada por percussão e cordas, reforçou a conexão entre celebração popular e valorização das raízes ancestrais.
Ao longo do evento, mães e pais de santo, ogans, ekedis e demais lideranças religiosas acompanharam as execuções musicais, saudando orixás e reverenciando a memória coletiva dos povos de terreiro. O clima foi de confraternização, marcado por gestos de respeito à diversidade cultural que ajuda a construir a identidade de Aracaju.
A iniciativa integrou a programação oficial de aniversário da cidade e reforçou o compromisso de manter vivas manifestações culturais que atravessam gerações. Com ritmos, danças e cânticos tradicionais, os participantes celebraram não apenas a data histórica, mas também a permanência de práticas que resistem ao tempo e fortalecem o tecido social sergipano.
Encerradas as apresentações, o sentimento entre artistas, religiosos e espectadores era de gratidão pela oportunidade de compartilhar conhecimentos e reforçar laços comunitários. Assim, a festa em homenagem aos 171 anos de Aracaju consolidou‐se como momento de encontro entre passado, presente e futuro das tradições afro-brasileiras.
Com informações de Aracaju.se.gov
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