Postagem alarmista sobre IA projeta “PIB fantasma” e derruba ações de tecnologia nos EUA

William Kevim
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Um texto publicado no domingo (22/2) pela Citrini Research, canal de finanças criado pelo investidor James van Gleek no Substack, desencadeou forte volatilidade nas bolsas norte-americanas na segunda-feira (23/2). O relatório, que descreve um futuro em que a inteligência artificial (IA) provocaria desemprego em massa e criaria um “PIB fantasma”, levou a queda generalizada de ações ligadas a tecnologia e serviços financeiros.

Quedas expressivas em Wall Street

Entre as companhias mais impactadas, Datadog, CrowdStrike e Zscaler recuaram mais de 9% cada. A International Business Machines (IBM) perdeu 13%, registrando o pior desempenho diário desde 2000. O movimento negativo também atingiu empresas que, segundo analistas, podem ser afetadas pela automação no futuro: American Express cedeu cerca de 7%, enquanto JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley caíram mais de 4%. As operadoras de cartões Mastercard e Visa acompanharam, com retração superior a 4%.

O cenário descrito pela Citrini

No início do texto, a Citrini esclarece tratar-se de um “exercício mental”, não de uma previsão definitiva. O documento é redigido como se fosse datado de 30 de junho de 2028. Nele, os autores imaginam uma economia com desemprego de 10,2% e queda próxima de 40% no índice S&P 500, dois anos após um pico de otimismo com a IA.

A narrativa sustenta que sistemas de IA assumiriam funções de colarinho branco, ampliando a produtividade empresarial porque “não dormem, não adoecem e dispensam plano de saúde”. Esse ganho levaria a um “PIB fantasma”: expansão estatística da riqueza sem correspondente circulação de salários, já que trabalhadores substituídos aceitariam vagas de menor remuneração. O relatório descreve ainda uma “espiral” onde demissões reduzem consumo, forçando novas reduções de custos e, por consequência, mais investimento em automação.

Impactos setoriais imaginados

No relato fictício, empresas de software seriam as primeiras a sentir o choque. Com menos funcionários, seus clientes comprariam menos licenças, comprometendo faturamento das próprias desenvolvedoras. O texto cita também a desintermediação de setores como corretagem imobiliária, turismo, contabilidade e serviços legais, diante de agentes autônomos capazes de lidar com grandes bases de dados e tarefas repetitivas. Até os aplicativos de entrega entrariam na mira, uma vez que programadores poderiam criar plataformas mais baratas e, numa etapa posterior, veículos autônomos dispensariam motoristas humanos.

Repercussão no mercado

O colunista Robert Armstrong, do Financial Times, apontou o blog como principal explicação para o recuo dos índices na segunda-feira. O Wall Street Journal destacou que “não é preciso muito” para gerar turbulência num mercado “hipersensível” às expectativas sobre IA. Já a revista Fortune publicou análise de Nick Lichtenberg alertando que o relatório pode subestimar a capacidade de adaptação de pessoas e instituições.

Entre os críticos, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, declarou que os receios são “exagerados” e reforçou que o banco pretende usar a tecnologia a seu favor: “Na minha opinião, sairemos vencedores”.

Apesar das divergências, a reação da segunda-feira evidenciou a sensibilidade de investidores a visões de longo prazo para a inteligência artificial, mesmo quando apresentadas como mera hipótese.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.