Pesquisas recentes apontam que a maioria dos norte-americanos desaprova a ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, mas, em Washington, parlamentares e veículos de comunicação não chegam a um consenso sobre a continuidade do conflito liderado pelo presidente Donald Trump.
Levantamento realizado pela Reuters em parceria com o instituto Ipsos, divulgado no domingo (1), indica que somente 27% da população apoia os ataques a Teerã. Outra sondagem, publicada na segunda-feira (4) pela emissora CNN e conduzida pela SSRS, revela aprovação de 41% e desaprovação de 69% às ações militares.
Divisão partidária em Washington
Entre os republicanos, legenda de Trump, o apoio à guerra predomina, embora existam vozes dissonantes no movimento Make America Great Again (Maga). Já a maioria democrata questiona a legalidade da operação, alegando que o Congresso não autorizou o uso da força, como determina a legislação norte-americana.
Duas resoluções que visam restringir os poderes de guerra do presidente tramitam no Capitólio. O Senado deve analisar uma delas nesta quarta-feira (4). Proposta semelhante foi rejeitada pela Casa em junho de 2025, durante o conflito de 12 dias contra o Irã.
Autor de um dos projetos, o senador democrata Tim Kaine (Virgínia) defende que os ataques “são um erro colossal” e teme pelas vidas de militares destacados na região. Parte da bancada democrata, no entanto, apoia Trump, como o senador John Fetterman (Pensilvânia), que se disse “perplexo” com colegas contrários à única ação que, em sua visão, pode impedir o Irã de obter armamento nuclear.
No campo republicano, há cautela sobre a duração da ofensiva. A deputada Nancy Mace (Carolina do Sul) afirmou ser contra limitar o presidente “por enquanto”, mas admite rever a posição caso a guerra se estenda por semanas.
Protestos e reações internas
Manifestações contrárias ao conflito ocorreram em várias cidades, mas reuniram apenas algumas centenas de participantes. Também foram registrados atos comemorando a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, sobretudo organizados por grupos da diáspora iraniana que se opõem ao regime de Teerã.
Análise de especialistas
O historiador brasileiro Rafael R. Ioris, da Universidade de Denver, avalia que a resistência interna à guerra ainda é limitada, mas pode crescer se o número de vítimas aumentar. Para ele, enquanto os republicanos controlarem o Congresso, dificuldades significativas para Trump são improváveis.
James N. Green, professor emérito da Universidade Brown, ressalta cisões dentro da base Maga. Segundo o pesquisador, embora surja o discurso nacionalista de “defender as tropas”, parcela relevante dos apoiadores de Trump critica a intervenção.
Mídia dividida
Os grandes veículos norte-americanos adotam posturas variadas. O New York Times classificou a decisão de Trump como “imprudente” e cobrou explicações sobre a estratégia, mas considerou “louvável” o objetivo de eliminar o programa nuclear iraniano. Já o Wall Street Journal endossou a ofensiva e alertou que o “erro” seria encerrar as hostilidades antes da destruição completa das forças iranianas.
Para o professor Ioris, emissoras como CNN e jornais tradicionalmente críticos ao presidente exibem cautela para evitar acusações de falta de patriotismo em período de guerra. Em análise publicada no site independente Mondoweiss, o jornalista Michael Arria sustenta que, no conjunto, a imprensa “declarou guerra ao Irã” ao repercutir argumentos do governo e minimizar o papel de Israel no conflito.
Enquanto a opinião pública rejeita majoritariamente a intervenção e o Congresso ensaia limitar a atuação da Casa Branca, o desenrolar militar no Oriente Médio deverá definir se o apoio político a Trump se manterá ou sofrerá novas fissuras.
Com informações de Agência Brasil
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