Planeta pode ultrapassar limite climático crítico até 2030, alertam cientistas

Rafael Ramos
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O aquecimento global já atingiu 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025. Pesquisadores alertam que o mundo pode cruzar a barreira de 1,5°C ainda nesta década.

As atividades humanas elevaram o aquecimento global a 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025. Os especialistas alertam que o planeta deve ultrapassar o limite crítico de 1,5°C em torno de 2030, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem nos níveis atuais.

A conclusão faz parte de uma nova edição dos Indicadores Globais de Mudança Climática (IGCC), um projeto científico que atualiza anualmente os principais indicadores da crise climática.

O limite de 1,5°C é a meta internacional estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015, que visa conter o aquecimento global. Esse aumento representa o máximo seguro da temperatura média da Terra em relação aos níveis pré-industriais.

O estudo envolve mais de 70 pesquisadores de 17 países e tem como objetivo oferecer uma visão mais atualizada do estado do clima global, preenchendo o intervalo entre os grandes relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“A Terra continua acumulando calor em ritmo acelerado”, afirmam os autores do estudo.

Isso significa que mais energia está entrando no sistema climático do que saindo, o que favorece o aumento das temperaturas e provoca mudanças em várias partes do planeta, incluindo oceanos e calotas polares.

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Os cientistas indicam que praticamente todo o aquecimento observado na última década foi causado por atividades humanas. Entre 2016 e 2025, a média de aquecimento provocada pela ação humana chegou a 1,24°C, muito próxima da temperatura total observada nesse período.

O relatório também revela que as emissões globais de gases de efeito estufa permanecem em níveis recordes. Em 2024, elas alcançaram 56,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, com a maioria proveniente da queima de combustíveis fósseis. O desmatamento, a agropecuária e atividades industriais também contribuem significativamente.

Um dos dados mais preocupantes é o orçamento de carbono, que estima a quantidade de dióxido de carbono que ainda pode ser liberada na atmosfera antes que os limites de aquecimento sejam ultrapassados. Segundo o estudo, no início de 2026, restam cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis para manter a meta de 1,5°C ao alcance.

Com o ritmo atual de emissões, esse volume pode ser consumido em aproximadamente três anos. Embora um único ano acima desse valor não signifique automaticamente o descumprimento da meta, os cientistas avaliam que a tendência atual coloca o mundo muito próximo de ultrapassá-la de forma duradoura.

Outro indicador importante incluído no relatório é o número de dias com ondas de calor marinhas, que mais do que triplicou entre 1991 e 2025. No ano passado, foram registrados 65 dias de ondas de calor nos oceanos em escala global, o que afeta ecossistemas marinhos e pode influenciar eventos climáticos extremos em áreas continentais.

O relatório também aponta que o nível médio dos mares atingiu um novo recorde em 2025, acumulando uma elevação de 23 centímetros desde 1901. A expansão da água do mar devido ao aquecimento e o derretimento de gelo em terra são fatores principais desse avanço.

Os resultados do estudo destacam que o clima continua mudando rapidamente em resposta às atividades humanas.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.